Acnur, OIM e Cáritas pedem que crianças imigrantes não sejam criminalizadas

Genebra, 15 mar (EFE).- O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a Organização Internacional de Migrações (OIM) e a Cáritas Internacional fizeram nesta quarta-feira um apelo conjunto para que as crianças imigrantes desacompanhadas deixem de ser criminalizadas.

Os conflitos, as perseguições e os desastres geraram o deslocamento forçado de 32 milhões de crianças no mundo, conforme dados divulgados em um evento promovido pela Caritas e pela Santa Sé, paralelamente a 34ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

"As crianças não deveriam ser presas porque a detenção nunca beneficia o menor. Devemos acabar com esta prática e lembrar que solicitar asilo não é um ato ilegal", disse a diretora da seção de proteção internacional do Acnur, Carol Batchelor.

A ONU tenta um entendimento comum para o fim definitivo da detenção de crianças imigrantes e refugiadas, particularmente quando estes carecem da companhia de algum familiar ou responsável.

O diretor-geral da OIM, William Lacy, lamentou que, em vez de ser feito um debate positivo sobre esta problemática e que os países de origem, de passagem e de destino aceitem compartilhar as responsabilidades, "estão sendo construídos muros e sendo tomadas medidas para impedir o fluxo migratório".

Durante o evento, foi destacado o trabalho feito pela Caritas na Itália - país que recebeu mais de 25 mil crianças não acompanhadas no ano passado -, que conta com centros especializados. Lá, os menores são atendidos por assistentes sociais, psicólogos, mediadores e voluntários.

A representante do Centro de Pesquisa da Caritas em Roma, Elisa Manna, afirmou que o maior desafio das organizações humanitárias e dos serviços públicos que lidam com os menores desacompanhados "é conseguir que saiam do papel de vítima e que se sintam parte ativa de sua própria vida". A maioria chega à Itália em relativo bom estado físico, que contrasta com os profundos problemas psicológicos (depressão, estresse pós-traumático, transtornos do sono, ansiedade) derivadas das experiências traumáticas vividas na violência e na travessia para chegar à Europa.

A Santa Sé, representada pelo padre Fabio Baggio, expressou a vontade do papa Francisco de "caminhar ao lado destas crianças" e por isso o Vaticano está promovendo uma rede de ajuda dentro das dioceses de todo o mundo.

"Estamos trabalhando para que as igrejas locais sejam ativas na ajuda aos imigrantes e refugiados, guiando essas crianças para as boas práticas e para que saibam como podem servir melhor", explicou o religioso.

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