Conflito sírio completa seis anos com final ainda difícil de vislumbrar

Susana Samhan

Cairo, 15 mar (EFE).- O conflito na Síria completa nesta quarta-feira seis anos com um saldo de mais de 321 mil mortos e milhões de refugiados e seu fim é difícil de vislumbrar, em meio ao avanço no terreno das forças leais ao presidente Bashar Al-Assad e às tentativas de negociação até agora fracassadas.

O último ano esteve marcado pela recuperação total do controle de Aleppo, a maior cidade do norte da Síria, pelo Exército nacional, que contou com o respaldo da aviação russa, em sua ofensiva do final de 2016.

A perda de Aleppo supôs o maior golpe dos soldados governamentais aos opositores e propiciou um cessar-fogo iniciado no final de dezembro e o reatamento do diálogo de paz.

Tanto no plano político como no militar foi fundamental o papel desempenhado pela Rússia, aliada do governo de Damasco, cujo respaldo militar contribuiu para mudar o equilíbrio de forças no terreno a favor do Exército sírio, enquanto nos últimos meses impulsionou as negociações.

"Atualmente, a Rússia é o único ator capaz de fazer possível uma solução política ao conflito", considera o opositor Jihad Maqdisi, que foi porta-voz do Ministério sírio das Relações Exteriores até que desertou do país em 2012 e atualmente lidera o chamado Grupo do Cairo, pertencente à oposição.

Maqdisi participou da última rodada de conversas de paz em Genebra, auspiciadas pela ONU e realizadas entre o final de fevereiro e princípio de março.

"Houve um entendimento entre Rússia e Turquia, por um lado, e Rússia e EUA, por outro, que esperamos que aplaine o caminho para um entendimento entre os sírios", indicou Maqdisi à Efe.

Isto se refletiu na última rodada de diálogo indireto na cidade suíça entre as autoridades sírias e a oposição, onde "houve um avanço pequeníssimo, mas positivo", ressaltou.

O opositor destacou que na agenda dessas reuniões, que serão retomadas até o dia 23, há quatro pontos: "Três referentes à mudança política, que são o Executivo, a Constituição e a realização de eleições; e um sobre a luta contra o terrorismo".

O vice-presidente da Comissão Suprema para as Negociações (CSN), George Sabra, se mostrou cauteloso na hora de se aventurar se será possível uma solução política no próximo ano, já que "ainda está tudo muito aberto".

Sabra explicou à Agência Efe que, em paralelo às conversas políticas de Genebra, auspiciadas pela ONU, está se desenvolvendo outro processo negociador em Astana centrado na situação militar e impulsionado pela Rússia, Turquia -valedora dos opositores- e o Irã, que apoia Assad.

Desde janeiro, foram realizadas três rodadas de diálogo entre as autoridades sírias e a oposição na capital do Cazaquistão, a última iniciada ontem, embora tenha sido boicotada pela oposição.

Sabra precisou que o processo de Astana quer resolver a situação militar e procura a consolidação do cessar-fogo no território sírio, cujos fiadores são Moscou, Ancara e Teerã.

O opositor apontou que os insurgentes não compareceram, porque opinam que não foram cumpridos os acordos anteriores conseguidos na capital cazaque, "a Rússia ia ser fiador da trégua, mas o regime continua atacando Ghouta (periferia de Damasco) e vai realizar um deslocamento forçado dos habitantes de Al Waer".

Al Waer é o único bairro com presença insurgente da cidade central de Homs, onde há dois dias as autoridades e os rebeldes alcançaram um pacto, com mediação russa, para facilitar a evacuação de combatentes e civis.

A oposição o considera como um deslocamento forçado da população, porque basicamente este tipo de regras são acordos de rendição, que os rebeldes aceitam após sofrer meses, e inclusive anos de assédios militares, como ocorreu em dezembro em Aleppo.

Enquanto isso, nos arredores de Damasco, o Exército sírio e seus aliados seguem avançando frente aos insurgentes e ontem impuseram um cerco a três bairros do arredor nordeste: Barze, Al Qabun e Tishrin.

Para o comandante das operações do Exército Livre Sírio (ELS) em Damasco e sua periferia, Abu Zuheir al Shami, nem os soldados governamentais e nem os rebeldes estão respeitando a cessação das hostilidades nos arredores de Damasco.

"Que trégua? Não há nenhum cessar-fogo em Barze, Harasta, Al Hosh... Os bombardeios são constantes e os combates continuam", lamentou.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos