Conversas de paz em Astana terminam sem participação da oposição síria

Astana, 15 mar (EFE).- As conversas de paz sobre a Síria, sem a participação da oposição armada, terminaram nesta quarta-feira em Astana com uma declaração conjunta das delegações da Rússia, Irã e Turquia, que acordaram uma nova rodada de conversas na capital cazaque para 3 e 4 de maio.

"O processo de Astana é uma parte importante do processo de Genebra... as reuniões tripartidas continuarão. A nova rodada de negociações Astana-4 será realizada entre 3 e 4 de maio ", disse o vice-ministro das Relações Exteriores cazaque, Akylbek Kamaldinov.

Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Cazaquistão tinha anunciado que a delegação da oposição síria deveria chegar a Astana nesta noite para participar das discussões encaminhadas a pôr fim ao conflito na nação árabe.

"Esperamos que a oposição armada síria chegue a Astana nesta noite ou amanhã de manhã. Alguns representantes da delegação russa ficarão em Astana para poder discutir alguns temas com a oposição síria", disse o negociador russo Alexander Lavrentiev em entrevista coletiva.

A oposição síria demandava uma série de condições prévias antes de aceitar participar da terceira rodada de conversas de paz em Astana.

Os insurgentes sírios resistiram a participar de Astana-3 por entender que tanto a Rússia como o governo de Damasco descumpriam as condições do cessar-fogo de Ghouta e pela persistência da violência em Al Waer, o único bairro com uma presença insurgente na cidade síria de Homs.

Em 7 de março, Moscou informou sobre o estabelecimento de uma trégua até 20 de março em Ghouta oriental, o principal reduto rebelde dos arredores de Damasco.

"A ausência da oposição síria não é do interesse da própria oposição. Vemos que há forças que querem perturbar qualquer conversa de paz na Síria. São forças que querem resolver a crise síria por meios militares. Não devemos sucumbir a esta provocação", disse Lavrentiev.

O chefe da delegação governamental síria, Bashar Jafaari, culpou a Turquia, que junto com os rebeldes se opõe ao regime sírio de Bashar al Assad.

"A principal razão pela qual a oposição armada síria não veio a Astana é porque a Turquia impede a aplicação do cessar-fogo", disse Jafaari.

Lavrentiev disse que os representantes das três nações fiadoras do cessar-fogo "debateram o estado das regiões reconciliadas para consolidar o cessar-fogo, a criação de uma comissão constitucional para a Síria, a troca de prisioneiros de guerra e a eliminação das minas terrestres" em Palmira, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Jafaari, no entanto, disse que as delegações não tocaram no tema da criação de uma comissão constitucional.

"Não discutimos esta questão. Absolutamente não ", ressaltou.

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