Negociações em Astana terminam sem acordo para consolidar trégua na Síria

Astana, 15 mar (EFE).- A terceira rodada de negociações sobre a trégua na Síria, boicotada pela oposição armada, terminou nesta quarta-feira em Astana, a capital do Cazaquistão, sem nenhum acordo que pudesse ajudar a consolidar o cessar-fogo vigente desde dezembro no país árabe.

Embora o Ministério das Relações Exteriores do Cazaquistão tivesse anunciado de manhã que os líderes de alguns grupos armados tinham intenção de viajar a Astana, os três países garantidores da trégua - Rússia, Turquia e Irã - decidiram dar por encerrada a reunião, sem esperar por sua chegada.

No entanto, ficaram na capital cazaque integrantes de menor categoria de suas delegações para que possam se reunir amanhã com os opositores, desde que estes não cancelem a viagem.

"Há forças que não querem apenas minar os processos de Astana e Genebra, mas desejam impedir qualquer possibilidade de diálogo. Há forças que apostam pela via militar para resolver o conflito sírio", denunciou o chefe da delegação russa nas negociações, Alexander Lavrentiev.

O sírio Bashar Jafaari, chefe da delegação enviada pelo governo de Damasco, acusou diretamente a Turquia de "colocar impedimentos" às negociações e exigiu que o governo turco "responda como país mediador" do cessar-fogo pela ausência da oposição.

O chefe da delegação opositora nas negociações de Astana, Mohammed Alloush, enumerou ontem oito razões para justificar o boicote, mas destacou como a principal a evacuação forçada do bairro de Al Waer, a única região com presença insurgente na cidade central de Homs.

Também acusou Moscou e Damasco de descumprirem muitas de suas promessas incluídas no acordo da trégua: o fim dos bombardeios contra posições da oposição, a libertação de presos e o fim das ações militares em Ghouta Oriental (região de Damasco), entre outras.

Com a exceção da primeira reunião realizada em janeiro, o formato de Astana se revelou até agora insuficiente para consolidar o fim das hostilidades, talvez porque o regime de Bashar al Assad tenha vencido a oposição no terreno militar e a deixou quase sem forças para fazer exigências.

A Rússia, que assumiu o papel de intermediário entre Síria e Irã, por um lado, e a Turquia - a grande fiadora da oposição armada - por outro, tenta impor uma agenda que não deixa resquício para as reivindicações dos grupos em confronto com Damasco.

Moscou mantém o empenho de pôr sobre a mesa sua minuta de Constituição para a Síria, que abre a porta para que Assad permaneça por mais dois mandatos no poder, enquanto a oposição exige a criação de um governo de transição e a renúncia do líder sírio.

O Kremlin também estabelece como prioridade a elaboração de um mapa no qual sejam estabelecidas as posições da oposição moderada e dos grupos jihadistas Estado Islâmico e Frente da Conquista do Levante (antiga Frente al Nusra), que estão excluídos da trégua.

"Levamos um ano e meio tentando separar as posições da oposição moderada das da Frente al Nusra. As conversas sobre este tema continuam", disse Lavrentiev sobre o assunto, ao garantir que, durante esta terceira rodada em Astana, a Turquia proporcionou "informação precisa" para elaborar o mapa.

Alguns grupos da oposição moderada, que chegaram a combater lado a lado com as milícias da Frente al Nusra (antigo braço sírio da Al Qaeda), parecem ter reservas para delatar seus antigos companheiros.

"Tentamos convencer a oposição armada síria que nos prestasse socorro para determinar a localização das unidades da (Frente) al Nusra", ressaltou o chefe da delegação russa.

Quanto aos outros assuntos e diante do boicote da oposição, a terceira rodada de negociações em Astana se limitou a novas consultas sobre questões como a troca de prisioneiros, a criação de uma comissão para redigir a Constituição e a cooperação internacional na remoção de minas em Palmira.

Em seu comunicado final, os três países garantidores entraram em acordo para voltarem a se encontrar na capital cazaque, nos dias 3 e 4 de maio, e para realizarem uma reunião de especialistas em Teerã, nos dias 18 e 19 de abril.

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