ONU afirma que Guatemala demorou em proteger crianças para prevenir tragédia

Cidade da Guatemala, 15 mar (EFE).- A representante do Alto Comissariado para os Direitos Humanos na Guatemala, Liliana Valiña, e a responsável pelo Unicef no país, Mariko Kagoshima, afirmaram nesta quarta-feira que é possível atuar mais rápido para zelar pelas crianças e prevenir a morte de 40 delas em um albergue estatal.

Apenas uma semana depois da tragédia no Lar Seguro Virgem da Assunção, as representantes dos dois órgãos internacionais se mostraram convencidas sobre a necessidade de mudar o sistema e articular uma melhor proteção para os direitos da infância.

"Havia esforços nesta direção. Isso temos que reconhecer. Não é que o governo não estivesse fazendo nada, de braços cruzados, mas podia ter sido feito mais rápido antes que essa tragédia ocorresse", disse Kagoshima em entrevista à Agência Efe.

A violência, a pobreza e a desigualdade são três fatores que prejudicam o futuro das crianças na Guatemala, mas a institucionalização sistemática dos menores em instituições não é a solução, avaliou a representante do Unicef.

"Internar as crianças durante um tempo prolongado, embora elas estejam em uma melhor condição que em suas casas, não é apropriado porque eles devem estar protegidos no meio familiar", afirmou.

Na última quarta-feira, um incêndio no Lar Seguro Virgem da Assunção terminou com a morte de 40 meninas e mais de dez hospitalizadas. Segundo as primeiras investigações, o fogo foi iniciado pelas próprias jovens, que estavam trancadas em uma sala de aula após protestarem pelos abusos sexuais e físicos que sofriam na instituição, que tinham sido denunciados múltiplas vezes.

"Essa é uma lição muito dura e muito lamentável, mas temos que refletir, defender uma necessidade de um olhar íntegro para a proteção social das crianças, uma responsabilidade compartilhada pelo governo e a sociedade, com apoio da comunidade internacional, para conseguir consensos e também poder mudar o padrão cultural", completou Kagoshima.

"O importante é, verdadeiramente, se concentrar em mudar as coisas, em assumir que efetivamente que houve erros e colocar vontade para encontrar soluções. Isso é urgente", defendeu Valiña.

O ex-titular da Secretaria de Bem-Estar Social, Carlos Rodas, a ex-subsecretária, Anahí Keller, e o ex-diretor do Lar Seguro Virgem da Assunção, Santos Torres, que eram responsáveis pela situação no momento da tragédia, foram presos na última segunda-feira acusados de homicídio culposo, entre outros crimes.

A representante do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU foi enfática em apontar a necessidade de superar as debilidades do atual sistema na Guatemala, passando para uma estratégia tutelar que foque na proteção dos direitos da infância, no qual todas as crianças não sejam "isoladas em guetos".

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