Vice-presidente das Filipinas critica guerra contra drogas de Duterte na ONU

Viena, 15 mar (EFE).- O vice-presidente das Filipinas, Leni Robredo, denunciou durante uma reunião da ONU em Viena as execuções extrajudiciais na "guerra contra as drogas" lançada pelo presidente desse país, Rodrigo Duterte.

Em mensagem de vídeo que será transmitida amanhã durante uma reunião organizada por várias ONG para delegados e participantes da Comissão de Narcóticos da ONU, o vice-presidente pede à comunidade internacional que siga o que ocorre nas Filipinas e pede que Duterte detenha as execuções.

"Saber que a comunidade internacional está observando e que defensores dos direitos humanos estão atentos ao que ocorre no país nos traz consolo, coragem e esperança", declara Robredo na mensagem de cinco minutos de duração, divulgada no "YouTube" pela fundação DRCNet, uma das organizadoras do evento.

Robredo lembra que mais de 7 mil pessoas foram assassinadas em "execuções sumárias" em nome da guerra contra as drogas lançada por Duterte após ser eleito presidente.

"Estamos vendo algumas estatísticas muito sombrias: desde julho do ano passado, mais de 7 mil pessoas morreram em execuções sumárias", critica o vice-presidente filipina.

"E a apuração de corpos devido aos assassinatos relacionados com as drogas segue crescendo", denuncia Robredo.

"A dependência às drogas não é algo que se possa solucionar só com balas, é um problema complexo vinculado de forma estreita com a pobreza e a desigualdade", ressalta.

Nas Filipinas, a vice-presidência é eleita em uma escolha separada da presidencial e Robredo pertence a um partido político diferente ao de Duterte.

Robredo é um dos poucos políticos de alto perfil das Filipinas que se mostrou crítico à campanha de execuções em nome da luta contra as drogas impulsionada pelo presidente.

A relação entre ambos políticos é muito difícil e Duterte não convida o vice-presidente às reuniões de seu Gabinete.

Robredo explica no vídeo que a campanha de assassinatos aumentou a desconfiança na polícia local e que o povo está "sem esperança e nem ajuda".

"Alguns disseram que quando há um crime normalmente iam à polícia. Agora não sabem a quem recorrer", lamenta o vice-presidente.

"Nosso povo lutou muito por nossos direitos e liberdades" por isso, diz, "não vamos retroceder agora".

O vice-presidente filipina defendeu a reabilitação dos toxicômanas e uma resposta baseada na prevenção e na saúde pública.

"Não se pode matar os viciados e dizer que o problema está solucionado", recalcou.

Também denuncia que a pena de morte poderia voltar "em breve" às Filipinas, algo que considerou "um grave erro" porque viola as normas internacionais da ONU.

Robredo conclui pedindo a Duterte que empreenda uma "guerra contra a pobreza" e não contra os consumidores de drogas, assim como respeite e fortaleça o estado de direito ao invés de encorajar a violação dos direitos humanos.

Duterte recebeu críticas da comunidade internacional e de organizações humanitárias que asseguram que em sua operação para limpar os bairros de drogas foram cometidas milhares de execuções extrajudiciais de traficantes e viciados com impunidade.

Organizações como Human Rights Watch e Anistia Internacional (AI) atribuíram várias execuções à própria polícia filipina e pediram à ONU que investigue o ocorrido já que poderia constituir um crime contra a humanidade.

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