ONU alerta EUA sobre risco de corte abrupto em contribuições

Nações Unidas, 16 mar (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou aos Estados Unidos nesta quinta-feira que cortar de forma abrupta o apoio financeiro à organização pode minar os esforços de reforma que Washington reivindica.

Guterres respondeu desta forma ao plano orçamentário para 2018 apresentado nesta quinta-feira pela Casa Branca, que propõe diminuir as contribuições para operações e trabalhos de pacificação da ONU e a alguns de seus programas em áreas como a mudança climática.

"O secretário-geral está totalmente comprometido em reformar a ONU e assegurar que esta adequada para seu propósito e que oferece resultados da forma mais eficiente e econômica. No entanto, cortes abruptos do financiamento podem forçar a adoção de medidas 'ad hoc' que podem minar o impacto de esforços de reforma a mais longo prazo", disse o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.

O representante disse que a ONU está totalmente de acordo com a necessidade de combater de forma eficaz o terrorismo, uma das prioridades do plano orçamentário americano, "mas acredita que isso requer mais que despesa militar".

"Também há a necessidade de responder às causas subjacentes do terrorismo com investimentos contínuos em prevenção de conflitos, resolução de conflitos, resistência ao extremismo violento, pacificação, construção de paz, desenvolvimento sustentável e inclusivo, promoção e respeito dos direitos humanos e respostas às crises humanitárias", enumerou.

Dujarric defendeu que os "enormes desafios globais" da comunidade internacional "só podem ser respondidos com um sistema multilateral robusto e efetivo, do qual as Nações Unidas continuam sendo o pilar fundamental".

O porta-voz disse que Guterres está preparado para discutir com os EUA e qualquer outro Estado-membro as melhores formas para criar uma organização mais eficiente e garantiu que mantém um contato muito próximo com a representante americana, Nikki Haley.

Dujarric ressaltou que a ONU é muito agradecida aos Estados Unidos pelo apoio prestado ao longo dos anos como maior contribuinte financeiro e lembrou que o processo orçamentário no país ainda tem um grande percurso pela frente.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já foi muito crítico em relação à ONU, a qual acusou de ser apenas "um clube de gente para se reunir, conversar e ficar bem".

O novo governo americano deixou claro em várias ocasiões que quer mudanças nas Nações Unidas e encarregou seu representante perante a organização para analisar possíveis cortes.

"Tudo o que funciona, vamos melhorar. O que não funciona, vamos tentar regular. E qualquer coisa que pareça obsoleta ou não necessária, vamos acabar", avisou Haley em janeiro.

O plano orçamentário aposta em "reduzir ou encerrar o financiamento direto para organizações internacionais cujas missões não avançam de maneira substancial os interesses exteriores dos EUA, que estão duplicados ou não estão bem administrados".

Estes programas entram sob a coordenação do Departamento de Estado, um dos mais afetados pelos cortes de Trump com uma redução de 28%, de US$ 52,8 bilhões para US$ 37,6 bilhões.

O plano reduz o financiamento para a ONU e suas agências e, entre outras coisas, estabelece que o país não pagará mais de 25% do custo das operações de paz, contra os atuais 28%.

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