Eleições deixam esquerda holandesa mais debilitada e dividida

David Morales Urbaneja.

Haia, 17 mar (EFE).- A forças progressistas terão menos força e estarão mais divididas no futuro parlamento da Holanda depois que os votos do Partido do Trabalho (Pvda) ficaram "espalhados" entre legendas de esquerda, declarou nesta sexta-feira à Agência Efe o professor de Ciências Políticas da Universidade Livre de Amsterdã, Patrick Overeem.

Os resultados das eleições realizadas há dois dias nos Países Baixos deixam um parlamento no qual as três primeiras forças políticas são de direita: os liberais de Mark Rutte (VVD, 33 cadeiras), os populistas xenófobos de Geert Wilders (PVV, 20) e os democratas-cristãos de Symand Buma (CDA, 19).

O Pvda, que na legislatura anterior fez parte do governo junto aos liberais, passou de 38 cadeiras para nove, um resultado que pulverizou seu piso eleitoral, que estava nas 23 cadeiras que obteve em 2002.

Os primeiros movimentos no Pvda já começaram e o presidente do partido, Hans Spekman, pôs seu cargo à disposição da militância. No entanto, o cabeça de chapa, Lodewijk Asscher, que foi eleito nas primárias em dezembro, disse que não tem intenção de fazer o mesmo.

"Os social-democratas estão com problemas em toda Europa", opinou Overeen, que aponta como solução possível para o Pvda que "se reinvente e aprenda" com a campanha que fizeram os Verdes de Esquerda (GroenLinks).

Uma pesquisa feita pelo instituto Ipsos afirma que quase metade dos apoios recebidos pelos ecologistas, que passaram de quatro para 14 cadeiras e são os que mais subiram, provém de antigos eleitores social-democratas.

A segunda força que mais se beneficiou da queda do Pvda é o D66, legenda liberal-progressista e federalista europeia que somou mais sete cadeiras.

Os resultados dos Verdes foram especialmente bons em Amsterdã, bastião social-democrata no passado onde, nesta ocasião, os ecologistas foram a legenda mais votada.

Parte de seu êxito se deve ao ar fresco levado à política holandesa por seu cabeça de chapa, Jesse Klaver, um jovem de apenas 30 anos com ascendência estrangeira que foi eleito líder da formação em maio de 2015.

"Klaver apresentou um projeto muito verde, que apela às pessoas jovens e gera um movimento com uma mensagem positiva. Isso é algo que tradicionalmente fazia o Pvda", comentou Overeem.

O líder ecologista cita como referências figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy (1961-1963), e o economista Thomas Piketty, especializado em desigualdade econômica, mas ao mesmo tempo se mostrou crítico com formações como a esquerdista Syriza da Grécia e o líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn.

Outros três partidos pequenos também se beneficiaram da queda dos social-democratas. Um deles é o 50PLUS, legenda que se apresenta como defensora dos aposentados e que passou de duas a quatro cadeiras.

Este partido criticou com dureza a decisão do governo anterior de aumentar a idade de aposentadoria para 67 anos, medida defendida por liberais e social-democratas, e apresentou como proposta principal de campanha voltar aos 65 anos.

Os outros dois partidos pequenos que se aproveitaram do descontentamento dos antigos eleitores social-democratas são o Denk, cisão do Pvda que conseguiu três cadeiras e diz defender os direitos dos imigrantes, e o Partido dos Animais, que passa de dois para cinco deputados.

Quem não melhorou nesta ocasião é uma legenda à esquerda do Pvda, o SP (Partido Socialista), que perdeu uma cadeira e ficou em 14.

"Eles tinham uma mensagem forte contra a última coalizão entre o VVD e o Pvda", lembrou Overeem. "Isso era atrativo para trabalhadores que sentem que não estão se beneficiando da melhora da economia", mas, segundo o professor de Ciência Política, tiveram como desvantagem sua líder, Emile Roemer, "que não é muito carismática".

Roemer se apresentava como cabeça de chapa do SP pela terceira vez e, sob sua liderança, o partido perdeu votos de forma progressiva.

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