Mundo da cultura ataca Trump por cortes de verba nas artes

Los Angeles (EUA), 17 mar (EFE).- O mundo do cinema e da música investiu nesta quinta-feira contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelos cortes que ele planeja fazer nas verbas orçamentárias destinadas à arte e à cultura.

O projeto orçamentário de Trump para 2018, apresentado nesta quinta-feira, propõe suprimir o financiamento federal aos Programas Nacionais para as Artes e as Humanidades, o que suporia um forte golpe a museus e organizações culturais nos EUA; assim como a eliminação de fundos para a Corporação de Mídias Públicas (CPB, sigla em inglês), que inclui as emissoras de rádio (NPR) e televisão públicas (PBS).

O número desses programas chega a apenas US$ 1 bilhão, uma quantidade reduzida se comparada com o gasto total, mas esta medida reforça a disputa de Trump com o setor cultural e dos meios de comunicação.

Entre as várias vozes que criticaram este plano está a da Academia da Gravação dos EUA, que organiza os prêmios musicais Grammy.

"O amor à música e às artes nos une e celebra a riqueza da cultura americana e nosso espírito de curiosidade e criatividade (...). A proposta da Casa Branca para eliminar o financiamento de Programas Nacionais para as Artes é míope e alarmante", disse na quinta-feira através de um comunicado Neil Portnow, presidente da Academia da Gravação.

O Instituto Sundance, dedicado à promoção e à defesa do cinema independente, afirmou por sua vez, em uma nota no Facebook, que "apoia energicamente" os Programas Nacionais para as Artes já que estes "têm papel crucial na hora de construir uma cultura que valoriza os artistas e que entende os importantes benefícios econômicos de investir nas artes".

"Deixar de financiar estes programas solapa nosso patrimônio artístico e prejudica nosso potencial futuro", acrescentou o instituto cinematográfico.

Além disso, os sindicatos de diretores (DGA, sigla em inglês), de atores (SAG), de roteiristas (WGA) e de técnicos e funcionários por trás das câmeras (IATSE) de Hollywood se uniram em um comunicado conjunto para reivindicar que as verbas federais destinadas à cultura sejam mantidas.

"Cortar o apoio federal a esses programas não só prejudicará os artistas e aqueles que se beneficiam de seu trabalho, mas também enviará uma mensagem prejudicial às gerações futuras sobre o poder da arte e seu lugar em nossa cultura", escreveram os representantes dos trabalhadores.

Além disso, várias estrelas do cinema manifestaram sua rejeição à proposta presidencial.

A atriz Julie Andrews e sua filha, a escritora Emma Walton Hamilton, escreveram a quatro mãos uma carta aberta para a emissora televisiva "CNN" em defesa da cultura e de seu valor na sociedade.

"As artes são fundamentais para a humanidade em comum. Cada vez que vamos ao teatro, a um museu ou a um concerto, estamos literalmente alimentando nossas almas, investindo em e preservando nosso futuro coletivo", afirmaram Julie Andrews e sua filha.

"Acreditamos que nunca foi tão crucial defender e apoiar as artes, não só em nossas escolas, mas em nossas comunidades e nossas vidas", acrescentaram mãe e filha.

Já a atriz Jamie Lee Curtis afirmou no Twitter que depois de todas as guerras, o que resta são "as pessoas, a arte, a natureza e a cultura".

"Trump pode tentar, mas não poderá nos marginalizar", garantiu a atriz.

"Sem as artes nos Estados Unidos, tudo o que temos é... Trump", escreveu na mesma rede social o cineasta e produtor Judd Apatow.

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