Com tecnologia 3D, jovens presos fazem próteses para crianças pobres no Chile

Vanessa Tagle.

Santiago do Chile, 18 de mar (EFE).- Um grupo de jovens chilenos reclusos em um centro da cidade de Valdivia está aprendendo a utilizar a tecnologia 3D para fabricar próteses ortopédicas que serão utilizadas por crianças de famílias de baixa renda.

"Os meninos nos surpreenderam positivamente com sua motivação e compromisso com o projeto", afirma à Agência Efe Montserrat Arévalo, encarregada do programa "A liberdade de Empreender Sonhos 3D", impulsionado pela Fundação Cidade da Criança.

Monsterrat reconhece que "a princípio houve dúvidas sobre como seria o processo de aprendizagem, sobretudo com o uso dos software especializados e com o cuidado das máquinas".

A iniciativa nasceu da necessidade de "buscar oportunidades de capacitação e reinserção a jovens condenados que não têm o benefício da liberdade", explicou.

"Antes, o que se tentava desenvolver com pessoas em situação de vulnerabilidade ou segregação era a integração, mas este conceito não conseguiu responder às necessidades completas da reinserção, porque um indivíduo que é considerado diferente dificilmente se integra em um ambiente normal", diz Arévalo.

Os jovens selecionados para participar deste programa contam com "o apoio de suas famílias nesta nova oportunidade de melhorar suas vidas", e isso é algo que se reflete "no entusiasmo que colocaram no projeto".

Além do trabalho em próteses ortopédicas, os jovens fabricarão produtos corporativos para reunir os recursos necessários para adquirir os materiais ortopédicos.

"É uma maneira de garantir a sustentabilidade destas oficinas", esclarece a coordenadora.

O projeto também tem como objetivo o desenvolvimento socioeducativo, já que as próteses são doadas a instituições que trabalham com pessoas que não têm recursos para comprá-las.

"A ideia é que possamos continuar aplicando o programa tanto em Valdivia - cidade situada 835 quilômetros ao sul de Santiago - como em outros lugares do país. Isto beneficia não só os jovens, mas também as crianças que recebem as próteses", enfatiza a representante da Fundação Cidade da Criança.

O projeto tem duração de um ano e conta com o financiamento do Banco do Chile, por meio da fundação Desafio Levantemos o Chile, assim como com a colaboração de uma empresa do setor.

"Estamos em conversas com outras empresas que também possam admiti-los como trabalhadores, mas a prioridade é capacitá-los para que possam ser empreendedores", indica Montserrat Arévalo.

"Nós já contamos com várias empresas da região que colaboram com o programa e estão dispostas a considerar a reinserção como uma tarefa da sociedade em seu conjunto", assegura.

O projeto não recebe recursos do Estado, por isso sua continuidade em Valdivia e sua extensão a outros centros de reclusão dependerá dos recursos de privados obtidos pela Fundação Cidade da Criança, encarregada da implementação e coordenação das oficinas.

Segundo o último relatório sobre o estado das ações penais contra adolescentes, de 2015, 4% dos jovens chilenos (14 a 18 anos) incorreram em uma falta ou crime. Destes, 5% foram condenados e cumprem pena sob de regime fechado, com 39% de reincidência.

"Não está se cumprindo a obrigação legal (de reinserção), já que isto fica sujeito à voluntariedade e a disponibilidade de recursos por parte das instituições, uma situação que impacta na fragmentação da intervenção que os adolescentes recebem como parte da pena imposta", conclui o relatório, elaborado pelo Congresso em 2015.

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