Correa diz que Odebrecht faz exigências "impossíveis" para acordo com Equador

Quito, 18 mar (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou neste sábado que a construtora brasileira Odebrecht faz exigências "impossíveis" para o acordo que a Procuradoria do país tenta costurar para obter informações sobre o caso de supostos pagamentos de propina a funcionários públicos.

"A Odebrecht faz exigências impossíveis, que o próprio Brasil lhe concedeu. É uma claudicação do Estado brasileiro, porque o que a Odebrecht pede é garantia de que não haverá nenhum julgamento civil, nenhum penal, que não será revisado nenhum contrato anterior, que possa continuar contratando no país, coisas realmente inadmissíveis", disse Correa.

Em seu relatório semanal, o presidente ressaltou que, de acordo com o marco constitucional do Equador, são "impossíveis" as pretensões da Odebrecht.

"A Odebrecht pede novos contratos. Enquanto eu for presidente, esta empresa não volta a pisar no país, companheiros, nem um centavo para esta empresa", ressaltou Correa, que reconheceu que quem deve informar sobre as pretensões da empresa brasileira é a Procuradoria.

No entanto, o presidente equatoriano disse que tocou no assunto porque soube que na próxima semana a oposição, a fim de prejudicar a imagem do governo, divulgará uma suposta lista elaborada pelos Estados Unidos de envolvidos em subornos da construtora.

"A realidade é que continuam as negociações para que a Odebrecht nos entregue diretamente a lista", que posteriormente deve ser revisada, já que se trata de "uma empresa corrupta e corruptora".

Correa lembrou que o Departamento de Estado dos EUA disse que não revelará a lista até que as investigações estejam encerradas, e que o Brasil tem um acordo de confidencialidade com a empresa até junho.

No início de março, a Procuradoria do Equador anunciou que pretende chegar a um acordo com a Odebrecht para obter informações sobre o escândalo de corrupção.

No dia 24 de fevereiro, a construtora brasileira disse que tinha avançado em acordos para colaborar com a justiça em alguns dos países nos quais é investigada.

Em dezembro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou documentos sobre supostos pagamentos de propina efetuados pela construtora em 12 países na América Latina e na África para conseguir contratos públicos.

No Equador, entre 2007 e 2016, a Odebrecht desembolsou mais de US$ 35,5 milhões, pagos a "funcionários do governo", o que rendeu à empresa lucros de mais de US$ 116 milhões.

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