Peru envia ajuda a afetados em inundações e segue em alerta por chuvas

Fernando Gimeno.

Lima, 18 mar (EFE).- O Peru tenta recuperar, muito lentamente, a normalidade após as inundações dos últimos dias e neste sábado suas autoridades enviaram as primeiros cargas com ajuda humanitária às zonas mais afetadas, sem diminuir o estado de alerta máximo temendo que novas chuvas provoquem mais desastres nos próximos dias.

O último informe oficial elevou os danos registrados desde dezembro a 69 mortos, 170 feridos, 12 desaparecidos, 72 mil desabrigados e 580 mil afetados, além de pontes destruídas e cortes no fornecimento de água e eletricidade em zonas das principais cidades do litoral peruano.

O governo do Peru, cujos ministros se dividiram entre as diferentes áreas afetadas para coordenar a emergência, destinou a primeira ajuda às regiões de Tumbes, Piura, Lambayeque e Ancash, que somam mais de 66 mil afetados.

A ajuda humanitária foi enviada em navios militares e pesqueiros perante a impossibilidade de acesso por via terrestre, já que a estrada Pan-americana Norte, que liga Lima ao Equador, está bloqueada pela destruição de quatro pontes, uma delas derrubada hoje.

A fragata Quiñones, da marinha peruana, zarpou do porto de Callao com 30 toneladas de água e outros produtos de primeira necessidade rumo a Huarmey, em Ancash, onde não há eletricidade.

A embarcação também leva um helicóptero para resgatar pessoas que estão isoladas pelas águas.

A Força Áerea do Peru (FAP), por sua vez, já resgatou cerca de 1.400 pessoas nas cidades de Trujillo, Chiclayo, Piura e Jauja, entre outras.

Na capital peruana, a situação é desigual, pois as zonas orientais da cidade, como Chosica e Carapongo, em Huachipa, amanheceram pelo segundo dia consecutivo inundadas pela cheia rio Rímac, que cruza Lima até desaguar no oceano Pacífico.

No entanto, a maioria de distritos da capital está há mais de um dia sem fornecimento de água potável, já que o excesso de lama, pedras e outros resíduos impedem o processamento de água para distribuí-la a seus habitantes.

As autoridades peruanas instalaram na capital diversos pontos para recolher doações de produtos de primeira necessidade, e um deles está no Palácio do governo, supervisionado pela primeira-dama, a americana Nancy Lange.

As chuvas continuam de maneira pontual, mas com forte intensidade, e de acordo com a última previsão do Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Senmahi) devem permanecer nos próximos dias, o que pode provocar novas inundações e transbordamentos de rios.

Em Tumbes, capital da homônima região fronteiriça com o Equador, caíram 45 litros por metro quadrado em uma hora, o que inundou as ruas, e no município nortista de Morropón foram acumulados 116 litros por metro quadrado desde ontem à noite.

As chuvas ocorrem por conta do atípico fenômeno climatológico do El Niño, que aqueceu a superfície do litoral peruano, provocando intensas chuvas em sua costa desértica e causando inundações, transbordamentos de rios e deslizamentos de terras, conhecidos no Peru pelo termo quíchua de "huaicos".

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