Al-Assad apoia projeto russo para a Constituição síria

Moscou, 20 mar (EFE).- O presidente da Síria, Bashar al Assad, expressou nesta segunda-feira apoio ao projeto russo para a futura Constituição do país, às vésperas da retomada das negociações de paz em Genebra, que ocorrerá na próxima quinta-feira.

"Em geral, apoiamos as propostas russas, não só esta. E agora estamos discutindo os detalhes com a parte russa. Mas não podemos começar a falar de algo concreto se não temos uma outra parte para o diálogo. A delegação da oposição armada não esteve nas conversas anteriores em Astana", disse Al-Assad em entrevista a veículos de imprensa da Rússia.

Sobre a próxima rodada de negociações em Genebra, que segundo a ONU deve focar na futura Carta Magna, Al-Assad garantiu que está disposto a tratar "qualquer coisa, inclusive a Constituição".

"Mas temos que saber quem irá a Genebra (por parte da oposição) e se estão dispostos a discutir esse documento", acrescentou em alusão ao texto russo da Constituição.

Por outro lado, Al-Assad se mostrou confiante que Moscou pode ampliar o apoio militar ao regime de Damasco caso seja necessário, mas, afirmou que, "por enquanto, o alcance do respaldo é suficiente e efetivo".

"Nesta etapa, o apoio da Rússia em forma de ataques aéreos foi suficiente para que o Exército sírio avançasse em várias frentes, sobretudo em Aleppo e Palmira. Tenho certeza que, se os líderes e militares russos e sírios perceberem que necessitamos mais para vencer os terroristas, nos darão essa ajuda", comentou.

O presidente sírio voltou a alfinetar Washington, ao assinalar que "a política americana não se baseia mais em um dois pesos e duas medidas, mas em múltiplos padrões, talvez dez, porque (os EUA) fundamentam a política não nos valores e nas normas internacionais, mas em seus próprios interesses".

"Todos sabemos que a coalizão (internacional liderada pelos EUA) nunca teve uma verdadeira intenção de enfrentar o Estado Islâmico (EI) ou os terroristas", denunciou, ao advertir que "qualquer operação militar na Síria sem autorização do governo é uma invasão".

Al-Assad fazia alusão a uma eventual intervenção de tropas americanas para expulsar o EI de Al Raqqa, reduto da organização jihadista na Síria.

O texto da Constituição proposto pelo Kremlin blinda a integridade territorial da Síria e estabelece a supremacia do direito internacional, entre outros aspectos, mas também abre a porta para que Al-Assad possa ser novamente designado presidente nas duas próximas eleições.

Está previsto que a próxima rodada de conversas em Genebra entre representantes de Damasco e a oposição síria comece na quinta-feira, apesar do opositor Comitê Supremo para as Negociações ainda não ter confirmado participação.

A última rodada foi realizada entre o fim de fevereiro e o começo de março e terminou com uma agenda pactuada por Damasco e pela oposição para tentar chegar a uma solução negociada ao conflito.

A ONU insiste para que as negociações abordem os três elementos definidos na resolução 2254 do Conselho de Segurança, que prevê a criação de um governo de transição, um calendário e processo para a elaboração de uma nova Constituição e a realização de eleições livres e justas supervisadas pela organização internacional.

A pedido do regime de Al-Assad, também será acrescentado um quarto pacote sobre temas relacionados com a estratégia antiterrorista.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos