Representante da Venezuela interrompe entrevista coletiva de Almagro

Washington, 20 mar (EFE).- A representante venezuelana perante a Organização dos Estados Americanos (OEA), Carmen Luisa Velásquez, interrompeu nesta segunda-feira a entrevista coletiva do secretário-geral do organização, Luis Almagro, com Lilian Tintori e Patricia de Ceballos, esposas de políticos presos na Venezuela.

Carmen Luisa tomou esta atitude antes do início da audiência, e acusou Almagro de "proselitismo". Ela também anunciou que pedirá ao Conselho Permanente consultas com os 34 Estados-membros para analisar a conduta "deplorável" do secretário da OEA.

"Venho protestar energicamente por esta entrevista coletiva. Isto é violação das normas da OEA, isto não pode ser feito. Estas são pessoas de um partido político (Vontade Popular) que se negaram a dialogar na Venezuela", disse a diplomata venezuelana, que diante dos conferentes.

Na nota de protesto enviada à presidência do Conselho, e a qual a Agência Efe teve acesso, a Venezuela denuncia que Almagro deu com esta convocação "mais uma mostra do duro golpe à institucionalidade da OEA".

A Venezuela alega que a legislação interna da OEA afirma que "os programas e funções nos prédios da organização não serão políticos, nem terão caráter ou fim análogo". De acordo com a delegação diplomática, Almagro utilizou "mais uma vez, os espaços da OEA com fins proselitistas" e "viola o princípio de não intervenção nos assuntos internos dos Estados".

Após a interrupção, Almagro disse que este incidente o deixa mais convencido de que o "esquema de perseguição (aos que criticam o governo de Nicolás Maduro) os segue em todas as partes".

"Esperemos que a prática na OEA seja sempre esta, de ter a abertura suficiente para que cada um possa expressar sua dissidência", afirmou Almagro, para denunciar de novo "o regime ditatorial" que, em sua opinião, vigora na Venezuela.

Patricia, por sua vez, denunciou que a interrupção de Carmen Luisa exemplifica o que acontece na Venezuela. Já Lilian pediu aos 34 Estados-membros que apoiem a Almagro no pedido que fez na semana passada para aplicar a Carta Democrática da OEA e suspender à Venezuela da organização se o governo não convocar eleições gerais dentro de 30 dias.

Suspender à Venezuela da OEA é um processo diplomático complexo e que requer o apoio de dois terços dos 34 países-membros. A suspensão é a punição mais alta que o organismo pode dar a um governo e só foi usada uma vez desde a criação da Carta: após o golpe de Estado em Honduras, em 2009.

Mais que as consequências práticas de deixar de participar das atividades e programas da entidade, o valor da suspensão é seu caráter de sanção política e moral de alguns governos sobre outros. EFE

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(foto) (vídeo)

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