Justiça da França amplia investigações contra Fillon

Paris, 21 mar (EFE).- A Justiça da França decidiu ampliar o caso contra o candidato conservador à presidência do país, François Fillon, para investigá-lo pelas acusações de falsificação e uso de documentos falsos, indicou nesta terça-feira o jornal "Le Monde".

O jornal afirmou em seu site que os investigadores encontraram na Assembleia Nacional documentos que permitem suspeitar que o ex-primeiro-ministro pode ter usado informações falsas para justificar os salários da esposa, Penelope, contratada por ele como assistente parlamentar.

Fillon foi formalmente acusado por desvio, apropriação indevida de recursos públicos e por não ter declarado à Autoridade para a Transparência da Vida Pública um empréstimo de 50 mil euros concedido pelo empresário Marc Ladreit de Lacharrière.

Após uma primeira operação na Assembleia Nacional no último dia 31 de janeiro, a decisão de ampliar a investigação foi tomada na quinta-feira passada após novas buscas realizadas no local.

Os agentes, segundo o "Le Monde", encontraram folhas assinadas por Penelope com cálculos sobre as horas trabalhadas. Os investigadores questionam se os documentos falsificados posteriormente para justificar os pagamentos.

O "Le Monde" também afirma que o semanário "Le Canard Enchainé" divulgará, em sua edição de amanhã, que o Fillon e a esposa assinaram uma declaração falsa que certificava à Assembleia Nacional que a esposa do candidato não trabalhava mais de 30 horas por mês na revista "La Revue des Deux Mondes", propriedade de Lacharrière.

Entre 1º de julho de 2012 e 30 de novembro de 2013, Penelope Fillon era contratada tanto pela Assembleia Nacional como na revista literária. A esposa do candidato irá prestar depoimento na próxima terça-feira e também pode ser acusada no caso.

O escândalo envolvendo Fillon ganhou um novo capítulo hoje. O mesmo "Le Canard Enchainé" revelou que o ex-primeiro-ministro cobrou US$ 50 mil para organizar reuniões entre um milionário libanês com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o diretor-executivo da companhia petrolífera Total, Patrick Pouyanné.

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