Secretário da OEA diz que repressão é a única gestão de governo na Venezuela

Montevidéu, 21 mar (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o diplomata uruguaio Luis Almagro, disse nesta terça-feira que a "repressão é a única gestão efetiva de governo que se vê atualmente na Venezuela" e que nesse país "não há eleições periódicas, livres, justas e baseadas no sufrágio universal".

"O elemento da repressão é a única gestão efetiva de governo que se vê atualmente na Venezuela. Se manejassem a economia como manejam a repressão, todo o país seria 'madurista'" (em relação ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro), declarou Almagro em entrevista ao programa de rádio uruguaio "En Perspectiva".

O ex-chanceler uruguaio, que lidera a OEA desde maio de 2015, comentou que na Venezuela não há apenas presos políticos, mas também jornalistas, estudantes e trabalhadores e que trata-se de um país "que age fundo na repressão", onde "não há realização de eleições periódicas, livres, justas, e baseadas no sufrágio universal".

Almagro reafirmou que a Venezuela vive uma ditadura e justificou a apresentação na semana passada de um novo relatório que pedia a suspensão do país sul-americano da OEA após a constatação do fracasso das mesas de diálogo para resolver a crise política, econômica e social do país.

"Diante de todos esses fracassos e retrocessos da ordem constitucional na Venezuela, decidimos dar os passos seguintes para uma atualização do relatório (apresentado em maio de 2016) com recomendações que se referem a eleições gerais, libertação de presos políticos e retorno à ordem constitucional do país", afirmou Almagro.

O secretário-geral da OEA pediu na semana passada a suspensão da Venezuela da organização se o país não realizar eleições gerais no prazo de 30 dias, uma medida de sanção para a qual necessita do apoio de dois terços (24) dos 34 Estados-membros.

"Se a Venezuela, apesar disto, decidir zombar da comunidade internacional e seguir com seu padrão habitual de comportamento com repressão, pobreza e miséria para o povo, acredito que outras medidas como as previstas no artigo 21 devem ser tomadas", disse hoje Almagro.

O artigo 21 da Carta Diplomática da OEA indica que se a Assembleia, o principal órgão da organização, com os chanceleres dos 34 países, constatar que houve "ruptura da ordem democrática em um Estado-membro e que as gestões diplomáticas foram infrutíferas", pode suspender esse Estado de sua participação na instituição.

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