Snowden pede investigação sobre suposta influência russa nas eleições dos EUA

Berlim, 21 mar (EFE).- Edward Snowden, o ex-analista que revelou detalhes sobre o sistema de vigilância em massa dos Estados Unidos, pediu nesta terça-feira que a suposta influência russa nas eleições americanas seja investigada e que os responsáveis sejam apontados, mas indicou que por enquanto não há evidências.

"Sim, deve-se investigar se a Rússia influenciou as eleições", afirmou Snowden em discurso via videoconferência em um fórum sobre cibersegurança organizado no marco da feira tecnológica CeBIT de Hannover (centro da Alemanha), no qual também indicou que, "se for demonstrado" que houve interferências, "devem-se exigir responsabilidades".

No entanto, ressaltou Snowden, ainda não há "evidências reais" que provem estas acusações, agora investigadas pelo FBI, segundo confirmou na segunda-feira seu diretor, James Comey, em uma audiência pública sobre o caso no Congresso.

Comey garantiu que o FBI estuda desde julho do ano passado se existiu ou não "coordenação" para interferir no resultado eleitoral entre a campanha do atual presidente dos EUA e então candidato republicano, Donald Trump, e o governo russo.

Para Snowden, não pode haver um debate sério a este respeito além do "jogo político", em referência às linhas partidárias, "sem fatos nem evidências não controversas".

A influência externa em eleições nacionais não é algo novo, ressaltou Snowden, que no entanto destacou a importância de saber se estas interferências exteriores aconteceram, o que deveria "preocupar todos os americanos e todo o mundo".

O ex-analista da Agência Nacional de Segurança (NSA) e da CIA (agência de inteligência americana) se perguntou sobre o que poderia acontecer se Trump começar a utilizar estas técnicas para desqualificar seus oponentes políticos.

Além disso, Snowden riu quando foi perguntado se acredita que o novo governo americano está disposto a reformar as leis para acabar com a espionagem em massa.

"Trump nunca se apresentou como um defensor das liberdades civis", respondeu Snowden, que lembrou que o republicano defendeu o aumento da espionagem e o uso da tortuda.

O ex-analista também acusou em geral os governos de terem criado "um mercado" para uma "indústria prejudicial", em referência à exploração de falhas de segurança em programas informáticos para espionar os usuários.

Explorar estas falhas, argumentou, geram instabilidade em todo o sistema e por enquanto não é possível demonstrar que a vigilância em massa tenha ajudado a aumentar a segurança e reduzir os ataques terroristas.

Snowden considerou positiva a crescente difusão da criptografia nas comunicações através da internet, mas alertou que este sistema que impede o acesso de terceiros ao conteúdo das mensagens não impede a coleta dos metadatos, como as identidades de emissor e receptor ou os identificadores de seus aparelhos eletrônicos.

Toda esta informação é um "registro perfeito da vida privada quando se faz em grande escala", advertiu.

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