Fome em Somália e Iêmen pode ser evitada com mobilização internacional

Genebra, 22 mar (EFE).- Se a comunidade internacional agir de forma urgente e determinada e entregar assistência humanitária de emergência nos próximos três meses à Somália e ao Iêmen, a iminente crise de fome que ronda esses dois países poderia ser evitada, alertou nesta quarta-feira o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

"Temos que agir agora, não esperar três meses porque será tarde demais. Nos próximos três meses temos uma chance única de agir e evitar a crise de fome, mas, para isso, tem que chegar grande quantidade de ajuda para que o pior cenário possa ser evitado", ressaltou em entrevista coletiva Dominick Stillhart, diretor de operações do CICV.

"Se agirmos agora, nos próximos três ou quatro meses poderíamos evitar a morte de centenas de milhares de pessoas", detalhou o responsável humanitário.

Stillhart se referia especificamente ao caso de Somália e Iêmen, que, assim como o norte da Nigéria e o Sudão do Sul, estão prestes a sofrer uma crise de fome que, segundo a ONU, poderia afetar até 20 milhões de pessoas.

Nos quatro países existem conflitos de longa duração e de difícil solução que solapam os esforços humanitários, mas, no caso de Somália e Iêmen, também há uma seca aguda (especialmente no caso do país africano) que fez minguar a capacidade de resistência da população.

"A urgência, o sentido de velocidade, é essencial para evitar que aconteça o mesmo que na crise de fome de 2011, quando morreram 260 mil pessoas apenas na Somália, porque apesar de os primeiros alertas sobre a possibilidade de uma crise de fome terem chegado em maio de 2010, a ajuda não chegou até julho de 2011, quando já era tarde demais", explicou Bruce Mokaya Orina, diretor-adjunto para a África.

Além disso, o diretor para o Oriente Médio do CICV, Robert Mardini, especificou que no caso do Iêmen "é preciso enfatizar que, mesmo que chegassem US$ 2 bilhões em comida aos portos iemenitas, o problema não seria resolvido de forma imediata".

Mardini explicou que um dos maiores empecilhos no Iêmen é a distribuição de ajuda pelo país, dado os múltiplos focos de conflito e os impedimentos nos vários postos de controle nas diversas linhas de combate.

"No Iêmen, morrem todos os dias 20 pessoas de doenças curáveis, mas 45% dos centros sanitários do país não funcionam, e isso sem mencionar os feridos pelos combates. Além disso, 70% da população depende da assistência para sobreviver e aumentou em 150% a desnutrição infantil", ressaltou Mardini.

Mokaya não pôde apresentar dados concretos sobre mortes nos outros três países, mas lembrou que os casos de desnutrição infantil estão se multiplicando, que na Nigéria 300 mil crianças sofrem com desnutrição severa aguda, e que os casos de cólera, diarreia e de outras doenças relacionadas com o consumo de água contaminada, especialmente entre os deslocados internos, disparam a cada dia.

"Isto não é algo que ocorre todos os dias. Estamos falando de 20 milhões de pessoas que podem morrer. Precisamos de dinheiro, mas também acabar com a obstrução política que impede a distribuição de ajuda", ressaltou Stillhart, para insistir na necessidade de uma ação rápida.

O CICV solicitou US$ 400 milhões para poder assistir até 5 milhões de pessoas nos quatro países citados, mas, por enquanto, só obteve um quarto do solicitado.

No Sudão do Sul, aproximadamente 100 mil pessoas já estão sofrendo com a crise de fome e cerca de 1 milhão estão à beira dela, enquanto cerca de 5 milhões de pessoas necessitam de ajuda alimentar urgente.

Na Somália, há 2,9 milhões de pessoas que necessitam de assistência e a ONU calcula que 1 milhão de crianças menores de 5 anos sofrerão grave desnutrição este ano.

Além disso, no nordeste da Nigéria, 5,1 milhões de pessoas sofrem carências sérias de comida.

Já o Iêmen vive a maior emergência alimentar do mundo, com cerca de 7,3 milhões de pessoas que necessitam de ajuda atualmente, segundo as Nações Unidas.

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