Acnur diz que 400 mil pessoas estão "presas" na parte antiga de Mossul

Genebra, 23 mar (EFE).- Cerca de 400 mil pessoas estão "presas" na parte antiga da cidade iraquiana de Mossul, onde os jihadistas do Estado Islâmico (EI) estão entrincheirados, denunciou nesta quinta-feira a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur).

"Na parte ocidental de Mossul, que ainda tem 60% de seu território sob controle do EI, há cerca de 600 mil pessoas. Só na área antiga há 400 mil pessoas presas", afirmou por telefone aos veículos de imprensa o representante da Acnur no Iraque, Bruno Geddo, que está em Hamam al Alil, 20 quilômetros ao sul de Mossul.

A situação é "dramática", com escassez de alimentos e falta de eletricidade, disse o analista da ONU.

Os iraquianos retidos "estão começando a queimar seus móveis, suas roupas e plásticos" para se proteger das baixas temperaturas e da chuva.

Às vezes só têm água e pão para se alimentar, acrescentou o representante da Acnur no Iraque.

Geddo explicou que os civis estão em "estado de pânico e perigo", à espera das Forças de Segurança iraquianas para que possam ter uma rota de fuga que possibilite sair da cidade.

"Vimos casos de desnutrição em Hamam al Alil", onde existe um acampamento que oferece três refeições quentes por dia aos deslocados.

De acordo com números da agência da ONU, desde começou a operação militar das forças iraquianas e curdas em 17 de outubro do ano passado para retomar Mossul das mãos do EI, foram registrados 340 mil deslocados, entre os quais 70 mil retornaram a suas casas.

Atualmente, calcula-se que há cerca de 270 mil deslocados, segundo Geddo.

Desde o dia 19 de fevereiro, 153 mil pessoas fugiram da região, ou seja, a partir do momento em que as forças iraquianas começaram uma ofensiva para recuperar o controle dos bairros ocidentais de Mossul, após terem conquistado em janeiro a parte leste da cidade.

Segundo a Acnur, a taxa de deslocados procedentes do oeste ao centro de Hamam al Alil está aumentando e a cada dia são registradas entre oito mil e 12 mil novas chegadas.

"Estão aterrorizados e sob o fogo de artilharia. Se tentarem fugir, podem ser vítimas de franco-atiradores. Há pessoas, no entanto, que preferem fugir e correr o risco", indicou Geddo, que reiterou a importância de as autoridades iraquianas e as forças de segurança darem prioridade à proteção dos civis em suas estratégias militares.

O representante da Acnur, que se referiu sobretudo à necessidade de haver mais tendas disponíveis nos acampamentos, pediu que as agências humanitárias se preparem "para o pior" e lembrou que, por enquanto, não há uma solução política para o futuro de Mossul, uma vez libertada do EI.

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