Bundestag planeja mudar normas para evitar dar visibilidade à extrema-direita

Berlim, 23 mar (EFE).- O parlamento da Alemanha planeja modificar as regras para que não seja o deputado mais velho quem presida a sessão constituinte da legislatura, com o que se evitaria que esse posto possa corresponder a um político ultradireitista após as eleições do próximo mês de setembro.

Vários veículos de comunicação alemães informaram nesta quinta-feira que o presidente da câmara baixa, o conservador Norbert Lammert, propôs esta reforma para evitar que Alexander Gauland, da legenda Alternativa para a Alemanha (AfD), por ser o mais veterano com seus 76 anos, se transforme no presidente por idade.

Este posto, segundo argumenta a revista "Der Spiegel", entre outros, tem certas atribuições menores, mas algumas com certa visibilidade em momentos-chaves da legislatura, como a de presidir a sessão constituinte.

A proposta de Lammert, que não cita em nenhum momento a AfD, consiste em que o presidente por idade não seja o deputado mais veterano, mas o que conte com mais anos de experiência no Bundestag.

O objetivo, segundo um comunicado do parlamento alemão, é assegurar-se "que o parlamentar que dirige a primeira sessão do recém eleito Bundestag disponha da suficiente experiência".

Caso seja modificada a legislação seguindo esta proposta, a honra de presidir o primeiro plenário da próxima legislatura corresponderia provavelmente ao democrata-cristão Wolfgang Schäuble, atual ministro das Finanças, que é parlamentar desde 1972.

O Bundestag encomendou um relatório legal para assegurar-se que esta modificação é possível.

A própria câmara baixa é a encarregada de votar qualquer mudança em seus estatutos e, em princípio, sua modificação seguirá adiante sem problemas devido à maioria que apoia à grande coalizão.

Se as eleições gerais acontecessem agora, a AfD, uma legenda nacionalista e xenófoba criada em 2013, obteria cerca de 10% dos votos, segundo as últimas pesquisas.

A previsão é que os pleitos parlamentares aconteçam no dia 24 de setembro e, nas pesquisas mais recentes, os conservadores da chanceler, Angela Merkel, e os social-democratas aparecem empatados com pouco mais de 30% dos votos cada um.

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