Alemanha recrimina Turquia por seu medo paranoico de ser alvo de conspiração

Berlim, 28 mar (EFE).- As autoridades da Alemanha recriminaram nesta terça-feira a Turquia por seu "medo quase paranoico" de estar sendo objeto de uma conspiração por parte dos gülenistas e qualificaram de "ingênuo" o serviço secreto turco por pedir colaboração à inteligência alemã para espionar os seguidores desse movimento.

O ministro do Interior da Baixa Saxônia, Boris Pistorius, considerou "justificada" e "necessária" a medida adotada pelas autoridades regionais de informar às pessoas e às três instituições nesse estado federado que figuram na lista entregue pela Turquia ao serviço de espionagem exterior da Alemanha para que possam tomar, em nível pessoal, as medidas pertinentes.

Na opinião de Pistorius, o objetivo da Turquia ao espionar essas pessoas e instituições é "colocar o foco" sobre as vozes críticas ao regime turco, "intimidá-las" e, em seu caso, "fazer represálias".

"Na medida de nossas possibilidades, queremos proteger essas pessoas, pelo menos em território alemão", ressaltou Pistorius em um comparecimento à imprensa.

Além disso, o ministro destacou que é "assombrosa a intensidade e a falta de respeito" do serviço secreto turco, que espiona pessoas em "território estrangeiro", algo que qualificou de "intolerável" e "inaceitável".

O ministro alemão qualificou de "singular" o proceder da espionagem turca (MIT) na hora de oferecer ao serviço de inteligência alemão uma lista com nomes de integrantes do movimento do clérigo Fethullah Gülen, a quem Ancara acusa de ser o mentor da tentativa fracassada de golpe de Estado de julho do ano passado.

"Aparentemente, as autoridades turcas, não sei como, tinham expectativas equivocadas no que diz respeito à colaboração com as autoridades alemãs", declarou o ministro.

Para Pistorius, é "surpreendente o nível de ingenuidade" que reflete o proceder da Turquia, ao acreditar que "um Estado liberal e democrático como a Alemanha" poderia participar de algo semelhante, ainda mais quando não há indícios de crime.

"É difícil de entender e, aparentemente, só se pode explicar com o ambiente emocionalmente acalorado a poucos dias do referendo" de 16 de abril na Turquia para instaurar um regime presidencialista no país.

Os veículos de imprensa da Alemanha informaram ontem que muitas das imagens oferecidas pelo responsável do MIT, Hakan Fidan, ao presidente do serviço de inteligência alemão (BND, sigla em alemão), Bruno Kahl, durante um encontro na Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro, foram feitas em território germânico, algumas inclusive utilizando câmeras de vigilância, denunciou a inteligência alemã.

O MIT ofereceu uma lista de aproximadamente 300 pessoas ao BND - das quais cerca de 200 pertencem ao movimento gülenista - com identidades, endereços, números de telefone, além das citadas imagens.

O BND transferiu esta lista à espionagem interior alemã - o Escritório para a Proteção da Constituição (BfV) -, assim como à Procuradoria e ao Escritório Federal Criminal (BKA), para sua análise.

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