Dublin diz que Brexit terá consequências significativas para a Irlanda

Dublin, 29 mar (EFE).- O governo irlandês afirmou nesta quarta-feira que a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) terá "consequências políticas, econômicas e sociais significativas" para a República da Irlanda, mas acredita que será possível amortecer o impacto do Brexit durante as negociações.

Em comunicado, o Executivo irlandês informou que publicará no final de abril um "plano detalhado" sobre "suas prioridades" nas conversas que a UE manterá com Londres para estabelecer as condições do Brexit.

"O governo trabalhou muito duro durante mais de dois anos, antes mesmo do referendo britânico, para cooperar com todos os setores da ilha da Irlanda e identificar nossas principais áreas de preocupação e para desenvolver nossas prioridades nas negociações", diz a nota do governo irlandês.

Entre estas áreas de preocupação, o Executivo da Irlanda destaca a proteção do processo de paz na Irlanda do Norte, que passa, segundo Dublin, pela manutenção "de uma fronteira aberta" e da Área de Circulação Comum (CTA, sigla em inglês), estabelecida na década de 1920 para permitir a livre circulação entre o norte e o sul da ilha.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, confirmou hoje que invocou o artigo 50 do Tratado de Lisboa para iniciar um período de, pelo menos, dois anos de negociações para a materialização do Brexit, um gesto que o ministro de Relações Exteriores da Irlanda, Charlie Flanagan, disse que recebeu com "tristeza".

No entanto, Flanagan revelou que está "esperançoso" pelas referências à Irlanda que May incluiu na carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para iniciar um processo que, segundo a primeira-ministra britânica, também não deve prejudicar a República da Irlanda.

No texto da carta entregue pelo embaixador britânico na UE, Tim Barrow, Londres reserva um trecho em particular para a situação na Irlanda do Norte, no qual destaca a importância de proteger o processo paz.

O Executivo britânico quer "evitar o retorno a uma fronteira dura" com a República da Irlanda, o único país do bloco comunitário que terá uma barreira terrestre com o Reino Unido após o Brexit, além da Espanha com Gibraltar.

"Temos a grande responsabilidade de assegurar que não será feito nada que possa colocar em xeque o processo de paz na Irlanda do Norte e que o Acordo de Belfast (também conhecido como Acordo de Sexta-Feira Santa, assinado em 1998) continue vigente", diz a carta.

Flanagan comemorou hoje a inclusão dessas palavras na carta e reiterou o compromisso de seu governo para trabalhar com os 27 Estados-membros da União Europeia a fim de garantir que seu país mantenha uma relação comercial com o Reino Unido "o mais próxima possível".

O ministro acrescentou que uma "prioridade-chave" é assegurar que continuará "existindo uma fronteira invisível" após o Brexit.

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