Exército da RDC mata 18 milicianos suspeitos de assassinar analistas da ONU

Kinshasa, 29 mar (EFE).- O Exército da República Democrática do Congo (RDC) matou nesta quarta-feira 18 milicianos na província de Lualaba, na mesma região do sul do país onde foram encontrados ontem os corpos de dois analistas da ONU desaparecidos no início do mês.

Os combatentes abatidos pelo Exército pertencem à milícia Kamuina Nsapu, um grupo que intensificou suas ações violentas após as tropas do governo terem matado o líder da organização e que é suspeito de estar por trás do sequestro e assassinato dos funcionários da ONU.

A sueco-chilena Zaida Catalán e o americano Michael Sharp desapareceram junto com outros quatro congoleses que trabalhavam com eles em uma investigação sobre a violência que castiga várias regiões da parte sul da RDC, especialmente na província de Kasai Central, que faz fronteira Lualaba.

Sharp e Catalán eram membros de um grupo de analistas criado pela ONU para vigiar as sanções impostas à RDC pelo Conselho de Segurança.

"Continuaremos com os ataques contra os milicianos do líder tradicional até que todos se rendam ao Exército. Se não eles não se renderem, acabaremos com todos", disse à Agência Efe o porta-voz das Forças Armadas da RDC, general Jean-Richard Kassongo.

Na operação, foi apreendido um grande número de armas brancas.

A ofensiva do Exército da RDC contra os combatentes da Kamuina Nsapu continuará com novas ações em várias províncias, entre elas Kasai Central. A violência disparou depois de as forças de segurança terem matado o líder do grupo, que não reconhecia a autoridade do governo de Kinshasa nos territórios que controlava.

Mais de 400 pessoas morreram e cerca de 200 mil tiveram que deixar suas casas desde então, segundo a ONU.

A ONU mantém desde 1999 uma missão (Monusco) para contribuir com a estabilização no país, imerso em um frágil processo de paz desde a segunda guerra do Congo (1998-2003).

Várias milícias continuam ativas em diversas partes do país, que tem 70 milhões de habitantes.

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