Líder da Eurocâmara diz que Reino Unido precisará de acordo para voltar atrás

Bruxelas, 29 mar (EFE).- O presidente da Eurocâmara, Antonio Tajani, afirmou nesta quarta-feira que, se o Reino Unido quiser mudar ideia em relação ao "Brexit" durante os dois anos de negociação para a saída do país da União Europeia, não poderá tomar a decisão sozinho e precisará de um acordo com todo o bloco.

"Se o Reino Unido decidir mudar sua posição, não poderá fazê-lo sozinho. São todos os países-membros que vão decidir se isso é possível", afirmou Tajani em entrevista coletiva na Eurocâmara, a primeira depois de a primeira-ministra britânica, Theresa May, ter notificado oficialmente sobre o desejo de deixar o bloco.

Nesse sentido, o negociador para o "Brexit" da Eurocâmara, o ex-primeiro-ministro da Bélgica e eurodeputado Guy Verhofstadt, afirmou que essa possibilidade, que ainda está aberta, não pode servir para o Reino Unido firmar um novo acordo de acesso à União Europeia em "condições especiais".

O Reino Unido sairá da União Europeia em um prazo de dois anos que começa a ser contado a partir de hoje, exceto se os 27 países-membros do bloco decidam abandonar o limite de 24 meses.

A Eurocâmara, que terá que aprovar o acordo final que será firmado com o Reino Unido, estabeleceu hoje condições em um texto que será votado em plenário na próxima semana e que é apoiado pela maior parte dos grupos parlamentares.

Eles exigem que o governo britânico pague pelos custos do "Brexit", um tratamento fronteiriço especial para a Irlanda do Norte e a proibição de acordos bilaterais entre o país e os antigos sócios durante as negociações. Também destacam no texto a necessidade de reciprocidade e não discriminação entre os cidadãos britânicos que vivem na União Europeia e os europeus que vivem no Reino Unido.

"Nosso interesse primordial são os cidadãos. Temos que garantir uma saída ordenada e negociações bem-sucedidas, conduzidas com boa fé e transparência no interesse de todos", disse Tajani.

O eurodeputado italiano lembrou que, enquanto as negociações estejam em andamento, o Reino Unido continuará "desfrutando de seus direitos na União Europeia e seguirá atacando suas obrigações".

"Qualquer decisão unilateral que afete os cidadãos europeus nesses dois anos será contrárias aos tratados e ilegal", ressaltou.

Por sua vez, Verhofstadt destacou a importância de garantir a segurança dos europeus e uma necessidade de conseguir um acordo que aborde mais do que apenas a cooperação econômica.

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