Zuma demite ministro das Finanças e provoca forte queda do rand

Johanesburgo, 30 mar (EFE).- O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, demitiu nesta quinta-feira o ministro das Finanças, Pravin Gordhan, em uma decisão muito criticada por amplos setores do governo que provocou uma forte queda do rand.

Um dólar valia hoje à tarde 12,80 rands, mas, horas depois da notícia da demissão de Gordhan, já era cotado a 13,31 rands.

A demissão do ministro das Finanças põe fim à disputa cada vez menos interna que Zuma travava com Gordhan, que se caracterizou por opor-se aos planos do presidente de aumentar o gasto público e se transformou em um símbolo de integridade e retidão moral entre os sul-africanos.

O último capítulo da guerra entre ambos começou na segunda-feira quando Zuma obrigou Gordhan a interromper uma viagem à Europa e aos Estados Unidos para atrair investidores e retornar urgentemente à África do Sul.

Gordhan - que já tinha sido titular de Finanças no passado - foi nomeado ministro da pasta em dezembro de 2015 em substituição do desconhecido Des van Royen, que era a primeira opção de Zuma para o cargo e teve que ser substituído apenas quatro dias depois devido à reação negativa dos mercados.

Considerado um político frágil incapaz de dizer não a Zuma, Van Royen tinha substituído o respeitado Nhlanhla Nene, demitido pelo presidente após não ter autorizado alguns de seus projetos mais custosos e controvertidos.

A destituição de Nene provocou uma baixa estrepitosa do valor do rand e teve graves repercussões econômicas para o país, e desgastou ainda mais a já maltratada imagem de um presidente marcado pelas acusações de corrupção e o mau desempenho da economia.

Um relatório da Defensora Pública estabeleceu que Van Royen tinha se reunido várias vezes com os Gupta -uma família de empresários de origem indiana com laços estreitos com Zuma - pouco antes de assumir a pasta de Finanças.

Desde que Zuma se viu forçado a recorrer a ele para frear a queda livre do rand e acalmar os investidores, Gordhan foi convocado a depor em várias ocasiões pela procuradoria, no que muitos observadores consideram uma perseguição política no marco de sua queda de braço com o presidente.

Além disso, o já ex-ministro de Finanças bateu de frente com os Gupta, cuja enorme influência na administração de Zuma lhes levou a oferecer ministérios estratégicos para seus negócios com o setor público a vários dirigentes do governante Congresso Nacional Africano (CNA), segundo denunciaram estes últimos.

Um deles era o adjunto de Gordhan, Mcebisi Jonas, que garantiu que um dos irmãos Gupta lhe ofereceu 40 milhões de euros se aceitasse substituir seu então chefe, Nhanhla Nene, como titular de Finanças.

Jonas foi outra das vítimas da intempestiva remodelação governamental de Zuma, que, além das Finanças, efetuou mudanças em outros nove ministérios.

O até agora ministro do Interior, Malusi Gigaba, substituirá Gordhan nas Finanças.

Jacob Zuma conclui em 2019 seu segundo e último mandato como presidente. Cada vez mais vozes, dentro e fora de seu partido, lhe acusam de prejudicar gravemente a economia para favorecer seus interesses e exigem sua renúncia imediata.

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