Embaixador japonês voltará a Seul após polêmica por estátua de escrava sexual

Em Tóquio (Japão)

  • Yeo Joo-yeon/News1 via Reuters

    Escultura foi feita em memória de 200 mil mulheres que foram obrigadas a se prostituir

    Escultura foi feita em memória de 200 mil mulheres que foram obrigadas a se prostituir

O governo japonês anunciou, nesta segunda-feira (3), que voltará a enviar para a Coreia do Sul seus diplomatas chamados a consultas em janeiro por causa de um novo desentendimento entre Tóquio e Seul pela questão das "escravas sexuais". A polêmica em torno de uma estátua colocada diante do consulado japonês na cidade sul-coreana de Busan foi o último episódio nas frequentes tensões diplomáticas entre os dois países vizinhos pelo assunto das mulheres prostituídas necessariamente pelas tropas imperiais japonesas.

Tóquio decidiu voltar a enviar seu embaixador em Seul, Yasumasa Nagamine, e seu cônsul em Busan, Yasuhiro Morimoto. Eles retornaram ao Japão no início de janeiro em protesto pela estátua, apesar de "não ter havido progressos" no enfrentamento, disse hoje o porta-voz do Executivo, Yoshihide Suga.

O ministro japonês de Relações Exteriores japonês, Fumio Kishida, afirmou que a ligação a consultas dos diplomatas "não deu resultado" para conseguir a retirada da estátua como Tóquio reivindicava, e pediu a Seul que "cumpra com o estipulado" sobre o tema das escravas sexuais, em declarações recolhidas pela agência local "Kyodo".

Memória

A escultura simboliza as cerca de 200 mil mulheres, meninas e adolescentes --em sua maioria, coreanas-- que foram obrigadas a se prostituir pelas tropas imperiais japonesas desde os anos 30 e, sobretudo, no final da Segunda Guerra Mundial.

O conflito das escravas sexuais, chamadas eufemisticamente "mulheres de conforto", causou nas últimas décadas frequentes atritos entre Coreia do Sul e Japão, e se transformou no principal empecilho em suas relações bilaterais.

Os governos dos dois países assinaram, no final de 2015, um acordo para dar por liquidado o assunto, que contempla as desculpas oficiais do Japão e uma compensação econômica para restaurar "a honra e a dignidade" das vítimas.

A instalação da estátua corresponde agora ao protesto de certas organizações de apoio às vítimas, que se opuseram a dito pacto ao considerá-lo insuficiente.

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