MP da Argentina recorre de cancelamento de ação contra chefe de inteligência

Buenos Aires, 3 abr (EFE).- O Ministério Público da Argentina recorreu nesta segunda-feira do cancelamento do processo contra o chefe de inteligência do país, Gustavo Arribas, por supostamente ter recebido propina de um operador financeiro da construtora Odebrecht que foi condenado no Brasil por seu envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

Segundo confirmaram à Agência Efe fontes judiciais, o procurador federal Federico Delgado argumentou que o arquivamento, emitido na sexta-feira passada, foi decidido "sem uma investigação".

Para Delgado, a decisão considerou premissas falsas que não têm relação com a realidade.

Em sua decisão de sexta-feira, o juiz Rodolfo Canicoba Corral argumentou que tanto o Ministério Público como a denúncia apresentada contra o titular da Agência Federal de Inteligência (AFI) que deu início ao caso buscam "investigar um fato, sem aparência de crime, ocorrido no Brasil, para o qual o tribunal carece de jurisdição".

O expediente foi iniciado por causa de uma denúncia baseada em uma investigação jornalística publicada no jornal "La Nación", que afirmava que Arribas recebeu em 2013 um pagamento de US$ 600 mil.

Segundo a investigação, o operador da Odebrecht Leonardo Meirelles - condenado pela Justiça brasileira na Lava Jato - transferiu esse montante em cinco depósitos para uma conta em Zurique, na Suíça, pertencente a Arribas.

O dinheiro partiu supostamente de outra conta de uma sociedade controlada por Meirelles, "qualificada pela justiça brasileira como 'empresa de fachada', destinada ao pagamento de propina, lavagem de ativos e evasão", como descreveu o procurador em janeiro.

O processo relaciona essas transferências com a licitação de uma obra para o soterramento de um linha férrea em Buenos Aires em 2008 - durante o governo de Cristina Kirchner (2007-2015) - vencida pelo consórcio composto por Odebrecht, IECSA, COMSA e Ghella Societa Per Azioni.

As cinco transferências ocorreram menos de um mês depois que a obra começou a ser executada, por isso, segundo a denúncia, esses pagamentos poderiam se tratar de uma operação de inteligência para impulsionar a obra através do pagamento de propina.

No entanto, Arribas, que após conhecer a informação veiculada pelo "La Nación", negou ter relação com a Odebrecht, empresa na qual Meirelles trabalhava como operador, e apresentou um relatório no qual só aparece uma transferência de US$ 70.495, que atribuiu ao pagamento pela venda de um imóvel.

Além disso, o titular de inteligência garantiu que não foi ele quem escolheu o operador financeiro Meirelles para que efetuasse o pagamento pelo imóvel, mas que o mesmo foi escolhido pelo comprador da casa que ele vendeu.

Arribas foi um dos fundadores da Haz Sport Agency, uma agência de representantes de jogadores de futebol, e se transformou no chefe de inteligência em dezembro de 2015, com a chegada de Mauricio Macri à presidência, a quem o funcionário aluga um apartamento.

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