Oposição paralisa capital da R.D.Congo em protesto contra presidente

Kinshasa, 3 abr (EFE).- A convocação da oposição aos moradores de Kinshasa para que ficassem em suas casas para exigir a saída do presidente, Joseph Kabila, paralisou nesta segunda-feira a capital da República Democrática do Congo (RDC), apesar de as autoridades terem pedido aos moradores que não aderissem à greve.

Segundo pôde constatar a Agência Efe, policiais e militares armados e alguns grupos isolados de jovens eram a única presença visível hoje em muitas das ruas quase desertas de Kinshasa.

Grandes artérias da capital, como o normalmente movimentado bulevar Lumumba, estão praticamente vazias, e só veículos da polícia as percorrem para garantir a ordem.

"Dizemos 'não' ao senhor Kabila. Ele deve sair, porque bloqueou as negociações", disse Kabung wa Kabung, secretário-geral da União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), partido de oposição que convocou a greve.

Wa Kabung se referia às negociações entre governo e oposição para concluir os acordos de 31 de dezembro e fixar uma data para as eleições na qual seria escolhido o sucessor de Kabila, que, segundo o compromisso alcançado, deveriam acontecer este ano.

Este pleito deveria ter ocorrido em dezembro do ano passado, mas o governo de Kabila o adiou indefinidamente com a alegação de que havia deficiências no censo eleitoral.

Kabila - que chegou ao poder em 2001 em substituição a seu pai, que foi assassinado - já ganhou duas eleições e a Constituição proíbe que ele concorra a um terceiro mandato.

A oposição viu no adiamento do pleito uma manobra do presidente para evitar deixar o poder.

Alguns grupos opositores assinaram em 31 de dezembro um acordo com o governo no qual aceitavam que Kabila seguisse no Executivo até a realização de eleições, desde que a votação ocorresse em 2017.

Mas as divergências entre as duas partes sobre a designação do primeiro-ministro e do presidente do Conselho Nacional de Acompanhamento do Acordo frustraram até agora a convocação.

As negociações ficaram comprometidas na semana passada depois que a Conferência Episcopal da RDC decidiu deixar a mediação nas conversas.

Os bispos justificaram sua decisão pela estagnação do diálogo, e pediram a Kabila que se empenhasse pessoalmente para encontrar uma solução.

A UDPS avisou que seguirá organizando ações de protesto como a de hoje para seguir pressionando Kabila.

O líder da UDPS e presidente da União das Forças Políticas e Sociais pela Mudança (RASSOP, sigla em francês), Félix Tshisekedi, convidou os cidadãos a se juntarem à manifestação pacífica para pedir a renúncia de Kabila que marchará nesta terça-feira até o Palácio da Nação, a sede da presidência.

Além disso, Tshisekedi encorajou todos os congoleses a participarem da greve geral convocada para 10 de março em todo o país.

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