Governador da região peruana nega ter recebido propinas da Odebrecht

Lima, 4 abr (EFE).- O governador da região peruana de Callao, Félix Moreno, negou nesta terça-feira ter recebido propinas da Odebrecht para favorecer a construtora na licitação para as obras de uma rodovia, um dia depois de a procuradoria local realizar uma operação de busca e apreensão em vários imóveis de sua propriedade em busca de provas destas irregularidades.

"Quero deixar claro que não recebi nem um só sol (moeda peruana) nem um só dólar dos brasileiros. Ressalto e destaco: não recebi nem um só real", disse Moreno a jornalistas, sem aceitar perguntas.

O governador de Callao, cidade portuária que faz divisa com a capital do Peru, Lima, e tem status de região autônoma, afirmou que nunca conheceu pessoalmente o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, nem o ex-diretor da companhia brasileira no Peru, Jorge Barata, que aceitou colaborar com a Justiça peruana nas investigações.

Moreno acusou a Procuradoria de gerar uma "cortina de fumaça" com a operação em seus imóveis para tirar o foco de outros casos de corrupção mais evidentes no caso Odebrecht.

O político defendeu a obra da Via Costa Verde, a rodovia licitada à Odebrecht na região, e pediu punição a quem tiver cometido algum crime ligado à obra, mas que esta não seja paralisada.

A Procuradoria investiga se Moreno recebeu US$ 2 milhões em propinas em troca de favorecimento à companhia brasileira na licitação da rodovia, segundo um documento fiscal citado ontem pelo jornal "El Comercio".

De acordo com a delação premiada de um funcionário da Odebrecht à Justiça peruana, Moreno pediu inicialmente US$ 4 milhões, mas aceitou receber pouco mais da metade.

A operação de busca e apreensão nos imóveis de Moreno foi realizada após a prisão, na noite de domingo, do empresário israelense Gil Shavit no aeroporto Jorge Chávez, por supostamente ser um dos intermediários para receber as propinas destinadas ao governador regional.

O escândalo de corrupção envolvendo a Odebrecht no Peru tem como foco os US$ 29 milhões que a companhia brasileira reconheceu à Justiça americana ter pagado a funcionários públicos peruanos entre 2005 e 2014 em troca da concessão de obras públicas.

Este período abrange os mandatos presidenciais de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

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