Trump condena ataque químico na Síria e culpa Assad

Washington, 4 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou nesta terça-feira o suposto ataque químico que deixou pelo menos 58 mortos na cidade de Khan Sheikhoun, na Síria, e atribuiu a autoria ao regime do presidente Bashar al Assad.

"O ataque químico de hoje na Síria contra gente inocente, inclusive mulheres e crianças, é reprovável e não pode ser ignorado pelo mundo civilizado", disse Trump em comunicado, no qual repetiu com as mesmas palavras a reação expressada horas antes por seu porta-voz, Sean Spicer.

Trump opinou que os "atrozes atos do regime de Bashar al Assad são uma consequência da fraqueza e indecisão" demonstradas pelo governo de seu antecessor, Barack Obama, que "em 2012 disse que estabeleceria uma 'linha vermelha'" para intervir na Síria, no caso, que fossem usadas armas químicas, "e depois não fez nada".

"Os Estados Unidos estão do lado de nossos aliados no mundo todo em sua condenação a este intolerável ataque", concluiu Trump.

Pouco antes, um funcionário do Departamento de Estado, que pediu anonimato, disse a jornalistas que tudo indica que o ataque químico "foi claramente um crime de guerra", e que os países que "respaldam Assad", Rússia e Irã, "têm muito pelo que responder".

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, também reservou duras palavras para Rússia e Irã em seu comunicado de condenação do ataque.

"Como fiadores autoproclamados do cessar-fogo negociado em Astana, Rússia e Irã têm uma grande responsabilidade moral por estas mortes", destacou Tillerson.

"Apelamos de novo à Rússia e ao Irã para que exerçam sua influência sobre o regime sírio e garantir que este tipo de horrível ataque não volte a ocorrer jamais", acrescentou.

Tillerson lembrou que o ataque representa "a terceira denúncia do uso de armas químicas no último mês", e disse que está claro que "assim é como opera Bashar al Assad: com uma barbárie brutal e flagrante".

"Aqueles que o defendem ou apoiam, incluindo Rússia e Irã, não deveriam enganar-se sobre Assad ou suas intenções. Qualquer um que use armas químicas para atacar seu próprio povo demonstra um desprezo fundamental pela decência humana e deve prestar contas", comentou o titular das Relações Exteriores americano.

As acusações dos Estados Unidos são divulgadas depois que a Síria negou que suas forças ou as russas estejam por trás do suposto ataque químico.

O funcionário do Departamento de Estado que falou hoje com a imprensa sob condição de anonimato tentou diminuir o tom dos recentes rumores de uma mudança de postura na exigência americana para que Assad abandone o poder para conseguir uma saída à guerra.

Na semana passada, Tillerson disse que o futuro de Assad deve ser decidido pelos sírios.

Já nesta segunda-feira, a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Nikki Haley, não descartou totalmente que a luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) possa inclusive levar seu país a tratar com Assad.

No entanto, o citado funcionário assegurou hoje que é "altamente improvável" que os Estados Unidos cooperem com Assad na luta contra o EI, e disse que esse tipo de coordenação "não está previsto".

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