França e Reino Unido exigem que Rússia deixe de proteger o regime sírio

Nações Unidas, 5 abr (EFE).- França e Reino Unido exigiram nesta quarta-feira que a Rússia deixe de proteger o regime sírio nas Nações Unidas e apoie uma resolução de condenação do suposto ataque químico efetuado no norte da Síria.

"Não há nenhuma aliança política que possa justificar fechar os olhos perante atrocidades maciças, contemporizar, desviar a atenção do mundo a outras tragédias, negar as evidências", disse o embaixador francês na ONU, François Delattre.

Seu colega britânico, Matthew Rycroft, reforçou que os vetos russos no Conselho de Segurança não fazem mais que encorajar o regime sírio a continuar matando e defendeu que o texto proposto por seu país, França e Estados Unidos sobre o ataque químico deve ser perfeitamente aceitável para qualquer Estado-membro.

Em Moscou, no entanto, o governo russo já deixou claro que considera o projeto de resolução "inaceitável", dando a entender que o vetará se for submetido à votação.

Os 15 países do Conselho de Segurança da ONU discutem hoje em reunião de urgência o suposto ataque com armas químicas ocorrido nesta terça-feira na cidade de Khan Sheikhoun, na província de Idlib, e que, segundo as Nações Unidas, deixou pelo menos 70 mortos.

O embaixador francês disse ao Conselho que os sintomas registrados nas vítimas "não são característicos do cloro", um produto usado em outros ataques na Síria, mas "de uma substância muito mais agressiva".

Por sua parte, grupos opositores sírios acusaram o exército sírio de ter usado gás sarin sobre Khan Sheikhoun.

Delattre insistiu hoje que a Rússia, como fiador da trégua estabelecida na Síria em dezembro do ano passado e membro permanente do Conselho de Segurança, "tem uma responsabilidade particular que hoje deve assumir".

"A inação não é uma opção", disse o representante francês, que opinou que o veto da Rússia e China em janeiro deste ano a outra resolução que buscava impor sanções ao regime sírio pelo uso de armas químicas lançou uma mensagem de "impunidade".

Na mesma linha, Rycroft assegurou que ontem se viram em Khan Sheikhoun "as consequências desses vetos".

"Se a Rússia quer recuperar sua credibilidade, deve unir-se a nós para condenar este ataque e urgir uma investigação", completou o embaixador britânico.

Embora as potências ocidentais tenham assinalado claramente o regime de Bashar al Assad como responsável do ataque químico, seu projeto de resolução não faz isso, limitando-se a condenar o incidente e a pedir ao governo total cooperação com a investigação.

Segundo fontes diplomáticas, a intenção de França, Reino Unido e EUA é que o texto seja votado o mais rápido possível, possivelmente ao longo do dia de hoje.

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