Guterres critica países que fecham fronteiras aos sírios

Bruxelas, 5 abr (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou nesta quarta-feira que haja países desenvolvidos que "fecham" suas fronteiras e reduzem as oportunidades de receber refugiados sírios

"Vemos no mundo desenvolvido fronteiras que se fecham e governos que reduzem as oportunidades de reassentamento e realocação", disse Guterres durante uma discurso na conferência internacional de apoio à Síria em Bruxelas.

O político português lembrou que os sírios "estão presos entre a pobreza e o desespero em seu lar, e a vida à margem da sociedade fora de seu país, à mercê de criminosos e traficantes".

"Devemos restaurar a integridade do regime internacional de proteção dos refugiados e compartilhar de forma mais equitativa a responsabilidade pelos refugiados sírios", insistiu.

Guterres reconheceu que "todos os países têm o direito de tramitar suas fronteiras de forma responsável e proteger a segurança de seus cidadãos", mas recalcou que "devem fazer isso em linha com a lei internacional dos refugiados e evitando qualquer tipo de discriminação".

O secretário-geral alertou que o conflito sírio "está desestabilizando toda a região" e pondo em foco o terrorismo global, "que coloca todos em perigo".

"A luta contra terrorismo é vital, mas todo sucesso será efêmero sem uma solução política à crise síria", considerou.

O secretário-geral da ONU disse que, dentro da Síria, quatro de cada cinco pessoas estão em situação de pobreza, "frequentemente de pobreza extrema, incapazes de fazer frente às necessidades básicas de alimentação".

Além disso, indicou que o fechamento de muitas escolas impede que 1,75 milhão de menores recebam uma educação. "Há crianças sírias de dez anos que nunca estiveram em uma sala de aula", apontou.

Fora da Síria, afirmou também que "a ajuda é claramente insuficiente para as crianças nos países vizinhos".

Assim, indicou que mais de 90% dos refugiados fora dos campos na Jordânia vivem abaixo da linha de pobreza jordaniana, enquanto metade das crianças refugiadas sírias no Líbano segue sem receber uma educação, "apesar dos enormes esforços do governo libanês".

Por isso, pediu à comunidade internacional mais esforços para apoiar à Jordânia e o Líbano (que acolhem mais de 655 mil e um milhão de refugiados sírios registrados, respectivamente), especialmente para melhorar sua infraestrutura em energia, água, educação e saúde, e para o Iraque, que "necessita de mais ajuda para impulsionar a reconciliação" no país.

Por sua vez, o primeiro-ministro jordaniano, Hani al Mulqui, alertou que a falta de atenção aos refugiados pode fazer com que caiam em ideologias de "radicalização e terrorismo".

Al Mulqui disse que o custo da crise síria desde 2012 ascende para seu país a US$ 10,6 bilhões, e que o Estado chegou a "sua máxima capacidade" para atender os refugiados, por isso que "sem o apoio da comunidade internacional", os próprios jordanianos também sofrerão o impacto desse esforço.

O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, afirmou que o amparo aos refugiados também "ameaça a segurança e a estabilidade política".

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