Khan Sheikhoun tenta se recuperar de suas feridas após suposto ataque químico

Susana Samhan.

Cairo, 5 abr (EFE).- Alguns mortos no suposto ataque químico de ontem na cidade de Khan Sheikhoun, no sul da província de Idlib, no norte da Síria, foram enterrados nesta quarta-feira, enquanto muitos feridos permanecem internados em hospitais nas áreas próximas.

O presidente do opositor Conselho Local de Khan Sheikhoun, Osama al Siada, disse à Agência Efe pela internet que "algumas famílias enterraram hoje seus mártires, que faleceram no bombardeio químico de ontem".

Nesta quarta-feira, o dia foi de relativa calma nessa população, embora tenha ocorrido um ataque de aviões no início da manhã, sem que houvesse registro de vítimas, segundo Siada.

De acordo com a última apuração divulgada pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), pelo menos 86 pessoas morreram, entre elas 30 menores e 20 mulheres, no suposto bombardeio químico, do qual o governo em Damasco e a oposição se acusaram mutuamente.

A Defesa Civil Síria, que presta serviços de resgate em áreas fora do controle das forças governamentais, informou até agora que são 50 mortos e 300 feridos.

Siada, cujo domicílio está a 700 metros do lugar onde aconteceu o suposto ataque com gases, participou do socorro aos feridos em um primeiro momento.

Pouco depois do bombardeio, "nos dirigimos ao local com máscaras normais, nos aproximamos pouco a pouco com o temor de ficarmos feridos e preparamos água para espalhá-la pelo lugar e nos feridos, até que pudemos atender a maioria", narrou Siada.

"Infelizmente, não houve tempo suficiente para que as equipes da Defesa Civil e as ambulâncias pudessem assistir a todos os feridos e isto levou à morte de muitos", lamentou o presidente do Conselho Local.

Ao chegar ao lugar do bombardeio, Siada ficou consternado quando comprovou que entre os afetados por asfixia e feridos no ataque havia profissionais de saúde.

Perante a escassez de ambulâncias e médicos, muitos moradores transferiram os feridos em seus próprios veículos a hospitais e centros de saúde fora de Khan Sheikhoun.

O médico Sakher al Daiu atendeu alguns dos atingidos no hospital da cidade de Saraqueb, a 15 quilômetros de Khan Sheikhoun e que acolheu 116 feridos.

Daiu explicou que os primeiros que chegaram para receber tratamento em Saraqueb eram profissionais de saúde que tinham ido a Khan Sheikhoun para prestar atendimento aos feridos pelo bombardeio.

"Os primeiros que chegaram ao hospital foram os integrantes das equipes de resgate que foram salvar os feridos pelo bombardeio. Como não sabiam que havia gás sarin, não se protegeram e se expuseram ao gás", relatou o médico.

Daiu detalhou que os feridos apresentavam sintomas como pupilas dilatadas, secreção de espuma pela boca e convulsões.

Os primeiros afetados foram internados no hospital de Saraqueb por volta das 7h20 locais (2h20 de Brasília), meia hora depois do bombardeio.

"Fornecemos atropina a eles, que é um antídoto não específico, mas do qual dispomos. Demos grandes quantidades (de atropina) a cada paciente, entre 35 e 60 ampolas, mas eles demoraram a reagir, o que levou a sequelas cerebrais, convulsões e repercussões em grávidas", enumerou Daiu.

O médico acredita que foi um bombardeio com gás sarin pelas características que os pacientes apresentavam.

"O gás sarin é o mais perigoso porque, num primeiro momento, não tem cheiro, ao contrário do gás cloro. Por este motivo, os integrantes das equipes de resgate foram os primeiros a serem afetados pela falta de um cheiro que os alertasse", indicou o médico.

De fato, a ONG Médicos Sem Fronteiras confirmou hoje que as vítimas do suposto ataque químico atendidas por seu pessoal apresentavam sintomas similares à exposição a um agente neurotóxico como o gás sarin.

Khan Sheikhoun conta com cerca de 75 mil habitantes, dos quais 12.490 são deslocados vindos de outros lugares.

Segundo Siada, nenhuma facção controla a cidade e não há nenhum quartel de grupos armados em seu interior, mas "na região está presente, de forma geral, a Organização para a Libertação do Levante (ex-braço sírio da Al Qaeda) e o Exército da Honra".

Em Istambul, na Turquia, o vice-presidente da Coalizão Nacional Síria (CNFROS), Abdul Hakim Bashar, afirmou que o ocorrido em Khan Sheikhoun deve servir para mudar a atitude da comunidade internacional em relação ao governo em Damasco, segundo um comunicado desta aliança opositora.

Nesse sentido, Hakim Bashar pediu ao governo dos Estados Unidos que mantenha uma "política firme em relação ao regime (sírio)".

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