Novo governo marroquino tem menos presença islamita

Rabat, 5 abr (EFE).- O novo governo do Marrocos nomeado nesta quarta-feira pelo rei Muhammad VI tem menor presença islamita que o anterior e "seguirá o processo de reformas" iniciado por este, declarou em suas primeiras palavras o presidente, Saadeddine Othmani, um islamita, assim como seu antecessor.

O novo governo "continuará com as reformas iniciadas pelos governos precedentes, que situam o interesse do cidadão marroquino acima de qualquer consideração", disse Othmani em declarações posteriores à nomeação de seu gabinete no Palácio Real em Rabat.

A nova administração foi formada após um vazio governamental que durou quase seis meses, desde as últimas eleições legislativas de 7 de outubro, que foram vencidas pelos islamitas do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD), que também liderou o governo anterior.

A rapidez com que o gabinete foi formado após a destituição de Abdelilah Benkirane por parte do rei e a nomeação de Othmani em 17 de março, se explica, sobretudo, por considerações econômicas, como a necessidade de promover as pequenas e médias empresas e a urgência de aprovar os orçamentos do Estado.

Apesar de o PJD ter sido o claro vencedor das eleições legislativas, o partido perdeu muito peso no governo atual, e não controlará as pastas de Relações Exteriores, Interior, Justiça, Defesa, Comunicação e Economia e Finanças, ocupadas por personalidades apolíticas ou por membros do Reagrupamento Nacional de Independentes (RNI, liberal), o grande rival do PJD.

Curiosamente, o RNI, que tem apenas 37 cadeiras no parlamento, tem ministérios - como Justiça, Economia, Agricultura e Indústria - muito mais poderosos que o PJD, que conta com 125 cadeiras.

Quanto à distribuição por gênero, no novo governo há apenas uma mulher com status de ministra, a islamita Bassima Haqaui, na pasta de Família e Assuntos Sociais, enquanto as outras oito são apenas secretárias de Estado.

Junto ao PJD e ao RNI, a coalizão governamental está formada por outros quatro partidos: o Movimento Popular (MP), o Partido do Progresso e do Socialismo (PPS), a União Constitucional (UC) e a União Socialista de Forças Populares (USFP).

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