Rússia pede na ONU investigação "completa" sobre ataque na Síria

Nações Unidas, 5 abr (EFE).- A Rússia pediu nesta quarta-feira na ONU que qualquer decisão sobre o possível uso de armas químicas na Síria seja adotada após uma "completa" investigação dos fatos mais recentes e apontou para a suposta responsabilidade de um grupo armado.

O representante da Rússia na ONU, Vladimir Safronkov, falou hoje no Conselho de Segurança para justificar sua oposição a um projeto de resolução que buscava condenar o ataque realizado na terça-feira na cidade síria de Khan Sheikhoun. Aproximadamente, 70 pessoas morreram nesse ataque e mais de 200 ficaram feridas.

Entidades como a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmaram que as vítimas apresentavam sintomas parecidos aos de um agente neurotóxico, como gás sarin.

Safronkov disse que "não seria sério" o Conselho de Segurança aprovar uma resolução sobre estes fatos sem ter feito uma investigação "objetiva" sobre o caso, que só tem "falsos reportes".

"É preciso fazer uma investigação completa para averiguar o que aconteceu e quem foi responsável", reforçou o diplomata.

O projeto de resolução, que acabou não sendo levado à sessão do Conselho de Segurança, era defendido por Estados Unidos, França e Reino Unido, e exigia averiguação a fundo do caso. Não estabelecia, no entanto, quem era responsável pela ação, embora os governos dos três países acusassem o regime de Bashar al Assad.

Safronkov mostrou oposição a algumas partes do texto do projeto de resolução, que, segundo ele, deveria condenar "o uso de armas químicas de qualquer tipo".

Em sua exposição, o representante russo reiterou relatórios fornecidos pelo Executivo em Moscou que dão conta de que a aviação síria realizou um ataque das 11h30 ás 12h30 (horário da Síria) de terça-feira na parte leste de Khan Sheikhoun.

Segundo a Rússia, esse ataque teve como alvo um estoque de munição e equipamentos de guerra em um território supostamente controlado pelo grupo terrorista Frente Al-Nusra (filial da Al Qaeda).

De acordo com Safronkov, nesse local havia uma instalação para fabricar munição "que usa armas tóxicas" e que aparentemente seria usada no Iraque e na cidade síria de Aleppo.

As informações dadas por ele ao Conselho, porém, não coincidem nem com a hora nem com o local apresentados em relatórios de autoridades locais e organismos de direitos humanos sobre o ataque.

Conforme disse à Agência Efe, Osama al Siada, presidente do Conselho Local de Khan Sheikhoun e uma das testemunhas do ocorrido, o ataque aconteceu por volta das 6h50, no horário local, e os lugares atingidos foram três pontos do norte da cidade e um do centro.

De fato, o Observatório dos Direitos Humanos da Síria estava noticiando os fatos duas horas antes da hora que Safronkof mencionou.

Na mesma reunião do Conselho, um representante da Síria, que foi convidado a participar embora seu país não seja membro do principal órgão de consultas da ONU, disse que as denúncias eram "fabricação" de algumas nações. Também negou "categoricamente" que as forças armadas sírias tenham usado armas químicas no conflito iniciado nesse país em 2011.

"Nunca usamos e nunca usaremos", assegurou o diplomata.

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