ETA declara que "já é uma organização desarmada"

San Sebastián (Espanha), 7 abr (EFE).- A organização terrorista ETA emitiu nesta sexta-feira (data local) um comunicado no qual declara que "já é uma organização desarmada", e que as armas e explosivos que tinha sob seu controle "se encontram em poder da sociedade civil".

Em uma proclamação remetida depois da meia-noite à emissora britânica "BBC" e a vários veículos de comunicação bascos, a ETA adverte à comunidade internacional que "o processo não está completo" porque o "dia do desarmamento" estava previsto para 8 de abril, e ainda poderiam acontecer "ataques dos inimigos da paz".

No anúncio, com data de hoje, a ETA afirma que "já é uma organização desarmada, pois a esta altura as armas e explosivos que tinha sob seu controle se encontram em poder da sociedade civil".

A ETA se refere assim ao trabalho dos mediadores basco-franceses que assumiram o trabalho de "mediar" com a organização para entregar o arsenal em seu poder às autoridades francesas, uma tarefa que asseguraram que estaria executada até 8 de abril.

No entanto, a organização terrorista não indica como se efetuou essa entrega das armas a uma "sociedade civil" não especificada.

A organização destaca ainda que o desarmamento foi "um caminho duro e difícil" porque Espanha e França "puseram todos os obstáculos e problemas possíveis", por estarem "obstinados com o esquema de vencedores e vencidos e rocados na via policial".

Este comunicado é divulgado poucas horas depois do manifesto emitido por vários intelectuais espanhóis e vítimas da organização no qual criticam que a ETA "mude as armas de matar pelas armas de mentir" e defendem uma "derrota política" do grupo, além da "militar", já alcançada.

O manifesto "Por um fim da ETA sem impunidade" adverte para que "os cidadãos de bem não caiam na armadilha midiática urdida" pela organização terrorista e se evite a impunidade, seu discurso do ódio e a falsificação da história.

As autoridades espanholas têm poucas esperanças de que as armas entregues pela organização ajudem a esclarecer os 224 atentados da ETA ainda sem solução.

Ao longo de mais de 50 anos de atuação, a organização terrorista assassinou 856 pessoas, cometeu dezenas de sequestros e extorquiu vários empresários para obter fundos.

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