Procurador peruano pede prisão de autoridade regional por caso Odebrecht

Lima, 6 abr (EFE).- O Procurador anticorrupção Hamilton Castro pediu 18 meses de prisão preventiva para o presidente regional de Callao, Félix Moreno, investigado por supostamente ter recebido subornos de US$ 4 milhões da construtora brasileira Odebrecht, informou nesta quinta-feira o Poder Judiciário peruano.

A solicitação de prisão preventiva foi recebida hoje e a data da audiência "será anunciada oportunamente", indicou o Poder Judiciário em sua conta no Twitter.

O procurador Castro dirigiu a revista às casas de Moreno, entre domingo e segunda-feira, e formalizou o pedido de prisão, após obter o depoimento do empresário israelense Gil Shavit, que teria atuado como link e receptor do dinheiro.

Moreno e Shavit foram denunciados por tráfico de influência e lavagem de ativos.

De acordo com a investigação, Moreno obteve uma propina de US$ 4 milhões da Odebrecht em 2014 para favorecê-la na licitação do trecho do litoral Verde em Callao, uma província vizinha a Lima, e os depósitos foram feitos em contas de empresas de Shavit em paraísos fiscais.

O jornal "El Comercio" informou hoje que Shavit, detido no domingo no aeroporto internacional Jorge Chávez, será investigado, e está impedimento de sair do país.

Shavit teria admitido o pagamento do suborno para Moreno e que atuou como nexo entre a autoridade regional e a Odebrecht, indicaram fontes da Procuradoria ao jornal.

Além disso, a Odebrecht entregou ao procurador Castro uma documentação na qual figuram as transferências de US$ 350 mil e US$ 410 mil a uma "offshore" da companhia Fincastle Enterprises e desta à empresa vinculada a Shavit, Cardift Internacional, nas Bahamas.

Igualmente, no expediente contra Moreno figura outro colaborador eficaz, identificado como 003-2016, que confirmou que em 2013 recebeu o projeto do litoral Verde e que, ao advertir que as bases eram inviáveis, Moreno se comprometeu a fazer mudanças posteriormente.

Este colaborador seria, segundo a revista "Caretas", o diretor superintendente da Odebrecht no Peru, Ricardo Boleira, que sucedeu Jorge Barata em 2013 nas operações da companhia no país.

Dos US$ 4 milhões estipulados com Moreno, só foram pagos US$ 2,76 milhões: US$ 2 milhões para o presidente regional e US$ 760 mil para Shavit, segundo indicou Caretas.

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