Parlamento do Chipre modifica lei que levou a bloqueio de diálogo de paz

Nicósia, 7 abr (EFE).- O Parlamento do Chipre emendou nesta sexta-feira a parte mais polêmica da lei de educação, aprovada em fevereiro passado, que levou os turco-cipriotas a abandonar as negociações de paz com os greco-cipriotas para a reunificação do país.

Tal emenda, apresentada pelo partido governante, o conservador DISY, para tentar reverter a situação, obteve 30 votos a favor, a soma do próprio DISY e o comunista AKEL, e 20 contra em um plenário de 56 deputados.

A lei de educação de fevereiro incluiu a comemoração nas escolas greco-cipriotas do aniversário do plebiscito de 1950, favorável à integração do país à Grécia (conhecida em grego como Enosis).

Isto fez com que o líder turco-cipriota, Mustafá Akinci, abandonasse as negociações ao qualificá-lo de "provocador", pois a questão da união com a Grécia causou nos anos 60 os primeiros confrontos entre as duas comunidades.

A emenda hoje não elimina a comemoração, embora deixe nas mãos do ministério da Educação se ela deve ser feita ou não.

A sessão parlamentar se caracterizou por tensões entre os partidos que se opunham à emenda de DISY por considerar que isto significa ceder às "chantagens" de Akinci, que pôs como condição para seu retorno à mesa de diálogo o cancelamento de tal lei.

Entre os partidos opositores também protestou o ultranacionalista ELAM, que foi quem apresentou a inclusão de tal comemoração na lei do fevereiro passado.

O reatamento das negociações entre Akinci e o líder greco-cipriota, Nicos Anastasiades, vai acontecer no dia 11 de abril.

Anastasiadis e Akinci, ambos pró-reunificação, registraram avanços importantes rumo à conversão de Chipre em um Estado Federal bizonal e bicomunal antes da interrupção da negociação.

Greco e turco-cipriotas vivem separados desde 1974, quando no mês de julho, após um golpe de estado no Chipre alimentado pela ditadura dos Coronéis da Grécia (1967-1974), a Turquia invadiu o país com o pretexto de prevenir a "Enosis".

O Exército turco ocupou a parte norte da ilha e em 1983 declarou a República Turca do Norte do Chipre, só reconhecida por Ancara.

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