Governador peruano nega perante juiz ter recebido subornos da Odebrecht

Lima, 8 abr (EFE).- O governador da região peruana de Callao, Félix Moreno, reiterou neste sábado perante um juiz que não recebeu subornos da construtora brasileira Odebrecht em troca de adjudicação da construção de uma rodovia.

Durante uma audiência no tribunal que avalia o pedido apresentado pela acusação de 18 meses de detenção para Moreno, a autoridade regional não se declarou culpado e prometeu cooperar com as autoridades para esclarecer os fatos.

"Eu não recebi um sol ou um dólar da empresa brasileira. Pode ser que tenhamos cometido erros administrativos, mas não roubamos", disse Moreno perante o juiz Ricardo Manrique, chefe do Terceiro Tribunal de Escola Nacional de Investigação.

O governador de Callao, cidade portuária adjacente à Lima com status de região autónoma, pediu ao juiz que continue o processo de investigações e prometeu colaborar sempre que for solicitado.

"Eu não me escondo. Se eu tiver cometido um crime, eu vou ter que enfrentá-lo, mas não me beneficiei. Tampouco posso sair ou desaparecer porque me tiraram os passaportes e todo mundo sabe que vivo em Callao", declarou Moreno.

O procurador anticorrupção Hamilton Castro, encarregado de investigar o caso Odebrecht no Peru, sustentou a ordem de prisão preventiva de Moreno argumentando que há um risco de fuga devido à gravidade da pena, que não seria inferior a 13 anos de prisão.

De acordo com Castro, a Odebrecht pagou um suborno de US $ 4 milhões em 2014 para adjudicar a construção da Costa Verde del Callao, uma autoestrada que corre ao longo da costa da cidade para se conectar com uma semelhante existente dentro da jurisdição de Lima.

A maior parte do pagamento ilegal da construtora brasileira (60%) foi para Moreno, enquanto os 40% restantes foram para o empresário israelense Gil Shavit, que decidiu colaborar com as investigações depois de ser preso no último domingo no aeroporto Jorge Chávez, em Callao.

O procurador apresentou como prova um documento do Escritório de Operações Estruturadas da Odebrecht, responsável pelo pagamento de subornos na empresa, no qual estão creditados dois pagamentos para a Costa Verde del Callao.

Castro afirma que Moreno usou o dinheiro para pagar o publicitário brasileiro Luis Favre para assessorá-lo naquele ano, em sua campanha eleitoral na qual ele foi reeleito governador regional; o que, na opinião do procurador, configura como lavagem de dinheiro.

No Peru, as investigações do caso Odebrecht se concentram em descobrir o rastro dos US$ 29 milhões que a construtora brasileira pagou a funcionários peruanos entre 2005 e 2014, segundo reconheceu à Justiça dos Estados Unidos.

Esse período inclui as presidências de Alejandro Toledo (2001-2006), alvo de um mandado de prisão por supostamente ter recebido US$ 20 milhões em propinas da Odebrecht; Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

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