Minas não detonadas têm "impacto devastador" entre civis na Síria, diz MSF

Cairo, 10 abr (EFE).- As minas não detonadas espalhadas por estradas, plantações e áreas residenciais estão tendo um "impacto devastador" na população civil que foge dos combates na Síria, alertou a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em comunicado divulgado nesta segunda-feira.

A entidade explicou que a constante mudança das zonas de combate deixou o país repleto de minas, armadilhas explosivas e munições, que ocasionaram mortes e mutilações em centendas de civis.

"É extremadamente perigoso para a população retornar as suas casas", alertou a responsável de Emergências para Síria da MSF, Karline Kleijer.

Segundo ela, existem "armadilhas explosivas debaixo dos tapetes, nas geladeiras e até em bichos de bichinhos de pelúcia".

Um exemplo disso é a localidade de Manbech, no nordeste da província de Aleppo, cujo hospital recebeu em julho do ano passado mais de 190 feridos por artefatos explosivos, disse MSF. Entre maio e agosto, Manbech foi palco de uma ofensiva das Forças Democráticas da Síria (SDF), uma aliança armada liderada por milícias curdas, para recuperar do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) o domínio de Manbech, que acabou com a tomada da localidade por parte das SDF.

A MSF citou em seu comunicado o caso de Yasem, que mora de Yirn, perto de Tell Abyad. Ele vive com duas minas enterradas a poucos metros do quintal de casa.

"Não consigo dormir. Estou sempre preocupado de que um dos meus filhos, o cachorro ou uma ovelha acabem explodindo alguma destas minas", explicou Yasem.

Segundo a ONG, atualmente quase nenhuma organização, humanitária ou militar, faz atividades de desativação de minas, o que obriga à população a fazer esse trabalho, frequentemente com graves - e fatais - consequências.

A MSF fez um apelo às partes de conflito e a seus aliados para que garantam a proteção dos civis e facilitem a chegada de ajuda humanitária.

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