Líderes cipriotas definem calendário de negociações para reunificação

Nicósia, 11 abr (EFE).- Os líderes greco e turco-cipriota, Nikos Anastasiadis e Mustafa Akinci, definiram nesta terça-feira o calendário de reuniões de uma nova rodada de negociações para a reunificação após a brusca interrupção das conversasem fevereiro.

Ambos se reuniram durante quase três horas no antigo aeroporto de Nicósia, atual sede da missão da ONU no Chipre (UNFICYP), e combinaram a volta à mesa de diálogo para o próximo dia 20 de abril, com novas reuniões em 2, 11 e 17 de maio.

"Espero que a nova rodada nos conduza a um ponto em que atingir convergências nos leve a uma solução", apontou o presidente do Chipre, Nikos Anastasiadis.

No último dia 16 de fevereiro os contatos diretos foram interrompidos quando Akinci se retirou da negociação o Parlamento do Chipre decidir que fosse comemorado nas escolas o aniversário do referendo de 1950, favorável à integração da ilha à Grécia (conhecida em grego como "Enosis").

Após o cancelamento desta comemoração no dia 7 de abril pelos partidos greco-cipriotas DISY e AKEL, conservador e comunista, respectivamente, Akinci aceitou voltar às negociações.

A atitude de Akinci foi vista pela parte greco-cipriota como uma desculpa para adiar as conversações até a realização em 16 de abril do referendo constitucional da Turquia, embora o líder turco-cipriota tenha rejeitado tal motivação.

O norte de Chipre, sob administração turco-cipriota, é um território que depende política, militar e economicamente de Ancara.

Anastasiadis e Akinci, ambos líderes pró reunificação, registraram avanços importantes para a conversão de Chipre em um Estado Federal bizonal e bicomunal antes da interrupção da negociação, embora os empecilhos na mesa de diálogo continuem sendo evidentes.

Entre todos eles, o mais complicado é a questão das potências fiadoras: Grécia, Turquia e Reino Unido.

O Chipre iniciou sua independência como Estado soberano em 1960 com base nos Acordos de Zurique e Londres, segundo os quais tais países seriam os fiadores da independência do novo país.

A Turquia insiste na permanência de suas tropas militares, inclusive depois de uma eventual reunificação, algo que a Grécia e o governo do Chipre rejeitam.

Greco-cipriotas e turco-cipriotas vivem separados - no sul e no norte, respectivamente - desde 1974, quando após um golpe de Estado no Chipre alimentado pela ditadura dos Coronéis de Grécia (1967-1974), a Turquia invadiu a ilha sob o pretexto de prevenir a "Enosis".

O exército turco ocupou a parte setentrional da ilha e, em 1983, declarou a República Turca do Norte de Chipre, só reconhecida por Ancara.

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