Alimentos tradicionais de países pobres podem virar produtos biofortificados

Roma, 13 abr (EFE).- Os alimentos tradicionais de países pobres podem servir de base para a elaboração de produtos biofortificados que melhoram a nutrição da população nesses lugares, assegurou nesta quinta-feira em Roma o especialista irlandês Tom O'Connor.

O pesquisador da Universidade Colégio Cork (Irlanda) apresentou na Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) um projeto para promover a biofortificação a partir de produtos próprios de países em desenvolvimento do norte de África e Oriente Médio.

Mediante a melhoria das qualidades genéticas dos cultivos, a biofortificação permite elevar o nível nutricional de alimentos que, por exemplo, as organizações humanitárias usam para lutar contra a desnutrição em situações de emergência.

Ao invés do habitual composto de soja que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU reparte entre as comunidades mais vulneráveis, O'Connor apontou que está sendo pesquisada a utilização de alimentos tradicionais das áreas que recebem ajuda.

Em muitos países muçulmanos, enfatizou, existe a opção do "kishk", uma mistura seca e fermentada de leite e "bulgur", mais conhecido como triguilho.

"É o candidato ideal para ser a base de um produto enriquecido com micronutrientes" e tenha as propriedades nutricionais estabelecidas pelo PMA, apontou o irlandês, que reconheceu que ainda é preciso desenvolver tecnologias e métodos para que sua produção seja rentável aos agricultores locais.

O Programa Mundial de Alimentos tem atualmente um programa de compras de pequenos produtores em países como Ruanda, Uganda e Zâmbia para que cultivem milho e batata-doce fortificada com vitamina A.

O'Connor acrescentou que a educação das mães é um fator fundamental para melhorar a nutrição dos meninos, apesar de viverem em terras pobres onde não há variedade de cultivos.

A formação em práticas alimentares, as medidas de saúde e um mínimo de higiene podem contribuir na luta contra a desnutrição e problemas como anemia e diarréia, segundo o irlandês.

Pelo menos assim comprovou realizando um estudo em duas zonas rurais diferentes de Etiópia nas quais havia uma alta prevalência desses transtornos entre as mulheres lactantes e seus filhos pequenos.

A maioria da população vivia da agricultura de subsistência e sua dieta baseava-se em poucos cultivos, que nas terras de baixa altitude compunham-se sobretudo de cevada e teff, e nas altas, de sorgo e milho.

Em ambos casos as comunidades combinavam a colheita desses produtos com outros que não consumiam, mas que serviam para obter dinheiro de venda, como o "khat" e os animais, em uma tentativa de diversificar sua economia e de melhor alimentação.

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