Oposição venezuelana acusa 37 funcionários públicos de torturar dirigentes

Caracas, 16 abr (EFE).- O partido opositor venezuelano Primeiro Justiça (PJ) afirmou neste domingo possuir uma lista de 37 funcionários públicos, entre eles policiais, acusados de responsabilidade em supostas "torturas" aos irmãos Sánchez, dirigentes políticos detidos na quinta-feira depois de uma manifestação opositora.

"Há uma lista de mais de 37 funcionários (...) do Sebin (serviço de inteligência), do Cicpc (polícia científica), do décimo tribunal de controle (de Caracas) que são responsáveis, com nome e sobrenome e com sua cédula, de um Governo torturador", assegurou o deputado Juan Miguel Matheus, em uma coletiva de imprensa.

As autoridades venezuelanas detiveram na quinta-feira José e Alejandro Sánchez, dois irmãos gêmeos dirigentes do PJ, partido no qual milita o duas vezes candidato à Presidência Henrique Capriles.

Dois dias depois, o deputado e diretor do PJ em Caracas Tomás Guanipa indicou que os jovens foram "torturados" pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) para, afirmou, "incriminá-los de fatos que não aconteceram" e para "obrigá-los a gravar vídeos incriminando dirigentes e deputados do PJ".

Perante isto, Matheus apontou que todos os funcionários "de qualquer categoria (...) que tenham participado do suborno da tortura de Alejandro Sánchez, vão responder aqui na Venezuela e fora da Venezuela por essa violação dos direitos humanos".

"Há que dizer que nossa Constituição não permite que se possa alegar ordens superiores para prosseguir com a tortura ou para violar os direitos humanos", acrescentou.

O Primeiro Justiça ressaltou que já denunciou "esses tratamentos cruéis" perante o Alto Comissionado das Nações Unidas e perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Cidh).

Nesse sentido, informou que na segunda-feira integrantes do partido comparecerão à Direção de Direitos Fundamentais da Promotoria venezuelana "para que se dêem conta da tortura de Alejandro Sánchez"

Estas denúncias serão feitas apesar de afirmarem que no país "não há separação de poderes".

"Tudo isto é o esgotamento da via interna para que Néstor Reverol (ministro de Interiores) possa pagar internacionalmente por esta tortura a Sánchez, e para que Nicolás Maduro saiba que também que é responsável", disse.

Da sua parte, Reverol indicou na sexta-feira através do Twitter que os organismos de segurança haviam "dado um duro golpe ao terrorismo da direita venezuelana "ao deter estes irmãos que, afirmou, "organizavam atos terroristas e atentados contra a paz do país ".

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