MSF alerta sobre uso político de ajuda humanitária no Mali

Rabat, 20 abr (EFE).- A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) alertou nesta quinta-feira sobre o uso político dado à ajuda humanitária no Mali por parte de atores com objetivos militares claros e que são parte do conflito no país.

Objetivamente, a seção espanhola da MSF citou em um comunicado a Missão da ONU no Mali (Minusma), a força de estabilização francesa no Sahel Barkhane e a missão da UE no Sahel EUTM.

Estas três missões estão presentes no país africano com dois objetivos principais: consolidar a autoridade do governo central de Bamaco e lutar contra o terrorismo jihadista, embora a MSF considere que a população não as veja como neutras, mas com uma agenda política própria.

Por um lado, os militares destas operações utilizam carros camuflados, sem identificação, que os deixa parecidos com os que usam as ONGS e, portanto, as coloca em risco; por outro - denunciaram - os militares costumam fazer suas próprias "intervenções humanitárias" em locais onde as ONGs atuam sem consultá-las, criando uma perigosa confusão de pessoas e objetivos.

Para a MSF, não há dúvida de que as missões militares usam a ajuda humanitária para promover seus próprios interesses, que não são humanitários, mas políticos, e a organização disse já ter denunciado tanto o governo do Mali quanto as missões militares.

Apesar da assinatura do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional entre os principais grupos armados que combatem no Mali em junho de 2015, a situação no país se agravou desde essa data, alerta a MSF: violência política de motivação étnica e religiosa, criminalidade crescente e conflitos entre agricultores e pecuaristas.

Todos estes conflitos, que se sobrepõem principalmente na metade norte do país, e a quase total ausência do Estado nessa mesma região fizeram com que a população ficasse desamparada e muito dependente da ajuda internacional, sobretudo pelas necessidades médicas e alimentares.

Por isso, a MSF, presente no norte do Mali desde 2012, alertou sobre a necessidade de proteger a ação humanitária e desvinculá-la dos conflitos políticos e étnicos no país.

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