Correligionários de Le Pen e Fillon são os mais belicosos nas redes sociais

Antonio Torres del Cerro.

Paris, 22 abr (EFE).- Os correligionários da ultradireitista Marine Le Pen e do conservador François Fillon são os mais belicosos nas redes sociais e os que, à semelhança da campanha de Donald Trump, mais termos depreciativos usaram contra a imprensa tradicional e rivais políticos.

Assim afirmam especialistas em comunicação pela internet consultada pela Agência EFE às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais francesas.

Para David Chavalarias, que teve a iniciativa de criar um sistema que analisa o peso das comunidades políticas no Twitter, a campanha das eleições franceses tem traços semelhantes à dos Estados Unidos de 2016, com a vitória surpresa do republicano Donald Trump sobre a democrata Hillary Clinton.

Ele deu como exemplo a propagação entre as comunidades de Fillon e Le Pen do termo "merdias" (jogo de palavras em francês que conjuga "mídias" e "merda"), buscando associar os meios tradicionais com a mentira.

"Seu agravamento é um sintoma", segundo o pesquisador do Centro Nacional Francês de Investigações Científicas (CNRS), lembrando que este termo foi cunhado em fevereiro, quando começaram os problemas de Fillon e Le Pen com a Justiça por casos de malversação de fundos públicos.

Também mencionou os ataques que circularam contra o prefeito de Bordeos Alain Juppé, a quem situaram em março passado como substituto de emergência por causa dos problemas judiciais de Fillon.

A campanha "Ali Juppé", que relacionava o político com o islamismo, misturava "intoxicação informativa e calúnia", constatou Chavalarias, lembrando que a campanha anti-Juppé já tinha sido criada no final de 2016, quando aconteceram as primárias de centro-direita vencidas por Fillon.

Segundo Arnaud Mercier, também pesquisador do CNRS e especializado em comunicação e política, a França "não assiste" ao mesmo fenômeno que aconteceu nos EUA na campanha de 2016.

"Os meios tradicionais para a propaganda política continuam tendo peso, como vimos no caso de (Jean-Luc) Mélenchon. Seu crescimento nas pesquisas começou com o primeiro debate presidencial televisionado entre os cinco principais candidatos", contou.

Não obstante, em um contexto tão disputado como o atual, "as redes sociais podem fazer a diferença", reconheceu Mercier.

Twitter, Facebook ou Youtube são canais frequentemente utilizados pelos cinco principais candidatos e, entre eles, Mélenchon é considerado como o "mais inovador".

O uso de hologramas em seus comícios foi uma revolução. Na terça-feira passada, esteve fisicamente em Dijon (centro de França), mas graças a esta técnica sua imagem foi replicada em outras seis cidades francesas, uma delas no departamento de ultramar de Ilha da Reunião, a cerca de 9.000 quilômetros de distância.

Mas também inovou no uso que faz do Youtube, canal onde conta com quase 280 mil inscritos - mais que nenhum outro candidato - e no que se mostra mais próximo usando os mesmos códigos dos "youtubers" mais consagrados.

Embora Le Pen seja líder destacada em seguidores no Twitter (1,37 milhão) e Facebook (quase 1,3 milhão), Mercier também destacou o uso que Macron, de 39 anos, faz de internet.

"Não lhe resta outra coisa a não se ser se tornar forte nas redes sociais, porque Melénchon e Le Pen as cultivam há anos. Ele é forte em dinamizar", opinou.

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