Incerteza nas eleições presidenciais francesas põe pesquisas em xeque

Paris, 22 abr (EFE).- A incerteza quanto ao resultado das eleições presidenciais na França, com quatro candidatos muito próximos, impõe aos institutos de pesquisa um desafio sobre sua confiabilidade, após erros famosos como na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e do "Brexit" no Reino Unido.

A dificuldade de prever o resultado se soma ao impacto que o tiroteio da última quinta-feira na Champs-Élysées pode ter na votação, que os especialistas não se atrevem a antecipar e que será difícil de saber, pois já não é mais permitido publicar pesquisas.

Nas pesquisas publicadas na última semana, o socioliberal Emmanuel Macron, a ultradireitista Marine Le Pen, o conservador François Fillon e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon aparecem com chances de ir para o segundo turno, no próximo dia 7 de maio.

A diferença entre os quatro vem diminuindo de forma significativa no último mês: dos mais de dez pontos que separavam no final de março a ultradireitista Le Pen - que então liderava com mais de 25% - do líder da esquerda radical Mélenchon - que ainda não chegava aos 15% -, passou para menos de cinco pontos.

Segundo o número médio das pesquisas mais recentes divulgadas esta semana por 11 institutos - com entrevistas realizadas antes do do tiroteio em Paris -, Macron aparecia 23% dos votos, seguido por Le Pen (22,4%), Fillon (20%) e Mélenchon (18,5%).

A margem de erro é de 2% a 3% e o índice de indecisos e abstencionistas está próximo dos 30%, superior ao habitual em outras eleições presidenciais francesas.

Como ressalta Gaspard Estrada, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, ninguém pode dizer com segurança quem irá para o segundo turno.

Tradicionalmente, os meios de comunicação publicam os nomes dos dois candidatos finalistas às 20h (horário local, 15h de Brasília), quando se fecham as últimas urnas, por já contarem com os votos apurados nos colégios que fecharam antes.

Mas este ano, muitos deles asseguram que pode não ser possível fazê-lo tão cedo.

"Não assumiremos riscos inúteis", disse o diretor-geral adjunto do Ifop, Frédéric Dabi.

O motivo é a pequena margem entre os quatro favoritos, mas também a diferença em relação a outros anos, nos quais alguns colégios fechavam às 18h, mas nesta ocasião nenhum fechará antes das 19h.

A crítica às pesquisas é um clássico das campanhas eleitorais, sobretudo por parte dos que não aparecem entre os favoritos.

O diretor-geral delegado de Ipsos, Brice Teinturier, reconhece que "há um clima de desconfiança alimentado pelo que aconteceu nos EUA" com a eleição de Donald Trump, em novembro, e com o referendo do "Brexit", em junho.

Mas para Teinturier - e a grosso, para os responsáveis dos institutos de pesquisa franceses - isso não se corresponde com a realidade porque os sistemas eleitorais na França e nos EUA não são equivalentes e porque as pesquisas não são elaboradas da mesma forma.

Na França, elas são feitas a partir de um sistema de cotas sobre a base das categorias (por sexo, idade e status socio-profissional) definidas pelo Instituto Nacional de Estatística (INSEE), enquanto nos EUA há uma amostragem "aleatória".

Uma crítica frequente é a de que as pesquisas subestimam os votos a favor de Le Pen, algo que os institutos reconhecem que pode ter acontecido, mas que já não é real.

Isso ocorre porque as pessoas já não têm vergonha de admitir que votarão na candidata, que não tem as mesmas conotações de seu pai, Jean-Marie Le Pen, e, além disso, a maior parte das entrevistas é feita por telefone, sem a presença física de uma pessoa, o que torna menos provável uma resposta falsa.

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