Quatro meses depois de eleições antecipadas Macedônia continua sem Governo

Ivan Blazhevski.

Skopje, 24 abr (EFE).- A Macedônia está há quatro meses sem conseguir formar um novo Governo após as eleições antecipadas de dezembro do ano passado, uma situação que além de bloquear a vida política, impediu que aconteçam as eleições locais e está retardando o crescimento econômico do país.

Há quase dois meses o presidente da antiga República Iugoslava da Macedônia, Gjorge Ivanov, se nega a dar um mandato aos social-democratas (SDSM) e aos principais partidos da minoria albanesa, apesar de os vencedores das eleições, os conservadores de Nikola Gruevski, serem incapazes de formar uma coligação.

Ivanov argumenta que uma aliança entre os social-democratas e os albaneses poria em perigo a integridade do Estado, pois, em sua opinião, esta coligação tem se estabelecido através da ingerência do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama.

Os social-democratas de Zoran Zaev e os partidos albaneses tinham chegado a um acordo para dar mais direitos a esta minoria que forma 25% da população da Macedônia.

Este pacto acordou os fantasmas de uma federalização étnica do país, ou inclusive da criação de um Grande Estado da Albânia nos Balcãs.

Nas eleições antecipadas de 11 de dezembro, o partido conservador governante VMRO-DPMNE ganhou com apenas dois deputados de vantagem sobre o SDSM, mas não conseguiu renovar uma aliança com a qual durante muitos anos foi seu parceiro de Governo, o partido da minoria albanesa União Democrática para a Integração (DUI).

Os social-democratas conseguiram o apoio não só da DUI, mas também de outras legendas albanesesas que tinham viajado em janeiro a Tirana para preparar junto com o premier albanês, Edi Rama, as condições que apresentariam em troca de participar de um Executivo, uma iniciativa batizada como Plataforma de Tirana.

Entre as exigências que Gruevski rejeitou e Zaev aceitou estava a aprovação de uma lei para ampliar o uso da língua albanesa, mas também iniciar conversas sobre alguns temas de interesse nacional muito sensíveis, como uniformes de polícia com dizeres em duas línguas e a revisão de alguns acontecimentos históricos.

O VMRO-DPMNE culpou o SDSM de trair a nação e Ivanov (candidato do VMRO-DPMNE nas eleições em 2009 e 2014) se negou a dar um mandato a Zaev com o argumento de que seu Governo se basearia em um documento político escrito por uma nação estrangeira.

Quatro meses depois das eleições, os social-democratas continuam reclamando seu direito de poder formar Governo, uma postura na qual obtiveram o apoio da União Europeia (UE), enquanto que os conservadores sustentam que a única saída para a crise é voltar a convocar eleições.

Esta nova crise política, que se liga à que levou às eleições antecipadas de dezembro, está bloqueando toda gestão política e institucional.

O trabalho parlamentar está suspenso depois que os deputados conservadores bloquearam a nomeação de um novo presidente da Câmara.

Isto por sua vez impede que possam acontecer as eleições locais previstas inicialmente para maio; sem um presidente do Parlamento que possa assinar a convocação, não pode haver essas eleições.

Em declarações à Agência Efe, o comentarista político Sasho Klekovski sustenta que cedo ou tarde os dois principais partidos terão que cooperar.

"Se não entrarem em acordo para formar uma ampla coligação, terão que abrir um diálogo político para resolver a crise e para convocar novas eleições", diz Klekovski, acrescentando que a crise macedônia envolve muitos atores globais e regionais, como Estados Unidos, UE, Alemanha, Reino Unido, Rússia e Turquia.

As tensões políticas estão começando a ter efeitos na economia e os principais organismos internacionais já revisaram para baixo suas previsões deste ano para a Macedônia: o Fundo Monetário Internacional, de 3,5% para 3,2%, e o Banco Mundial inclusive de 5% para 2,8%.

Enquanto isso, milhares de cidadãos e grupos civis estão há mais de dois meses se manifestando diariamente nas principais cidades e povoados do país contra a Plataforma de Tirana, e para pedir aos políticos que rejeitem toda pressão estrangeira e convoquem novas eleições.

"Se for necessário, vamos ocupar todas as ruas em torno do Parlamento para proteger nossas instituições. Estamos protestando há 55 dias, o faremos mais 5.055 dias se for necessário", disse um manifestante à EFE em um dos protestos neste fim de semana em frente ao prédio do Parlamento.

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