Ocupação temporária do parlamento da Macedônia deixa 8 feridos

Skopje, 27 abr (EFE).- Pelo menos oito pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira na ocupação do parlamento da Antiga República Iugoslava da Macedônia por milhares de manifestantes, alguns dos quais agrediram vários deputados da oposição, entre eles o líder do partido social-democrata SDSM, Zoran Zaev.

Várias horas depois, a polícia usou gás lacrimogêneo e granadas aturdidoras para desalojar o edifício e evacuar os deputados retidos.

Os manifestantes entraram na Câmara após a divulgação da notícia que o SDSM, junto com os três partidos albaneses com representação parlamentar, tinha eleito um novo presidente do parlamento após o fim da sessão regulamentar.

Tanto os social-democratas como a União Democrática para a Integração (DUI) e a Aliança para os Albaneses anunciaram a nomeação de Talat Xhaferi como novo presidente da câmara.

O partido atualmente no governo, o conservador VMRO-DPMNE, liderado pelo ex-primeiro-ministro Nikola Gruevski, qualificou esta eleição como "golpe de estado" porque a sessão parlamentar tinha terminado e porque, desde as eleições de dezembro, não foi possível formar um governo.

No entanto, o próprio Gruesvki assegurou que "a violência não é a solução" e pediu o fim do clima de animosidade.

"Os cidadãos não devem aceitar as provocações dos social-democratas e daqueles que querem afundar o país em uma crise mais profunda", afirmou Gruesvki, que disse que seu partido fará oposição através de mecanismos "legais, políticos e democráticos".

Por sua vez, o presidente do país, Gjorge Ivanov, fez um apelo à "calma", e reforçou que "todas as instituições devem respeitar a lei e a Constituição".

Ivanov convocou os partidos para reunir-se com ele ao longo desta sexta-feira para tentar solucionar a crise política no país.

Há quase dois meses Ivanov se nega a outorgar um mandato aos social-democratas e aos principais partidos da minoria albanesa, apesar de os vencedores das eleições, os conservadores, terem sido incapazes de forjar uma coalizão.

Ivanov argumenta que uma aliança entre os social-democratas e os albaneses poria em perigo a integridade do Estado, pois, em sua opinião, esta coalizão tem se estabelecido por meio da ingerência do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama.

Os social-democratas de Zoran Zaev e os partidos albaneses chegaram a um acordo para outorgar mais direitos a esta minoria que forma 25% da população da Macedônia.

Este pacto despertou os fantasmas de uma federalização étnica do país, ou até mesmo da criação de um Grande Estado da Albânia nos Balcãs.

Nas eleições antecipadas de 11 de dezembro, o partido VMRO-DPMNE ganhou com apenas dois deputados de vantagem sobre o SDSM, mas não conseguiu renovar uma aliança com aquele que durante muitos anos foi seu parceiro de governo, o DUI.

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