Liberdade de imprensa no mundo cai para nível mais baixo em 13 anos

Washington, 28 abr (EFE).- A liberdade de imprensa no mundo caiu em 2016 para seu ponto mais baixo em 13 anos com "ameaças sem precedentes" em países que até agora eram considerados "modelo", como os Estados Unidos, e retrocessos significativos em Polônia, Bolívia, Turquia e Sérvia, segundo o relatório anual publicado nesta sexta-feira pela organização independente Freedom House.

O declínio se deve também ao aumento da repressão em Estados autoritários e aos movimentos de Rússia e China para exercer maior influência além de suas fronteiras, é a conclusão deste estudo que será apresentado hoje no "Newseum" em Washington, o museu da imprensa nos Estados Unidos.

O relatório avalia o grau de liberdade de imprensa em 199 países e territórios, aos quais atribui uma nota entre 0 (máxima liberdade) e 100 (mínima), o que serve de base para determinar se a imprensa é "livre" (31% dos países), "parcialmente livre" (36%), e "não livre" (33%).

Os dez países e territórios do mundo com menos liberdade de imprensa são Coreia do Norte (com pontuação de 98 sobre 100), Turcomenistão (98), Uzbequistão (95), Crimeia (94), Eritreia (94), Cuba (91), Guiné Equatorial (91), Azerbaijão (90), Irã (90) e Síria (90).

A nota média global em liberdade de imprensa em 2016 foi de 49,40, a pior desde 2004, 13 anos nos quais a situação foi piorando a cada relatório, com uma leve melhora em 2011 e 2012.

Entre os países que registraram maior retrocesso em 2016 se encontram Polônia (6 pontos a menos), Turquia (5), Belize (5), Burundi (5), Sudão do Sul (4), Bolívia (4), Sérvia (4), Hungria (4), República Democrática do Congo (4) e São Vicente e Granadinas (4).

Na Polônia, a liberdade de imprensa está em declínio pela "intolerância do governo em relação ao jornalismo independente e crítico, pela excessiva interferência policial no trabalho dos meios de comunicação e pelo aumento da autocensura e da polarização".

Na Turquia, o retrocesso se deve a "múltiplas medidas repressivas implementadas após a tentativa de golpe de Estado em julho do ano passado", entre elas "o aumento da censura, o fechamento de veículos de comunicação críticos, o cancelamento em massa de licenças jornalísticas e o aumento considerável de detenções arbitrárias e violência contra os jornalistas".

Já na Bolívia, o governo "ameaçou perseguir judicialmente jornalistas críticos", enquanto na Sérvia houve "intensificação da campanha do governo para desacreditar veículos de comunicação críticos".

Além disso, o relatório volta a chamar a atenção para "a extrema violência contra jornalistas" que "não cessa" em vários países latino-americanos como Brasil, Colômbia, Honduras e México, que continuam entre os mais perigosos do mundo para o exercício da profissão.

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