Conselho de Segurança viaja à Colômbia para respaldar sua aposta na paz

Mario Villar.

Nações Unidas, 30 abr (EFE).- O Conselho de Segurança da ONU viajará nos próximos dias à Colômbia para analisar no terreno o desenvolvimento do processo de paz e dar um claro apoio à aposta do governo e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no fim do conflito.

"Parecia que era necessário acompanhar os colombianos nesta (...) feroz aposta na paz", disse à Agência Efe o embaixador do Uruguai nas Nações Unidas, Elbio Rosselli, que encabeçará a comitiva.

O Uruguai, que preside o Conselho de Segurança em maio, é o principal impulsor desta visita, com a qual o máximo órgão de decisão da ONU quer dar um sinal de apoio ao que considera um dos grandes êxitos para a paz nos últimos anos.

Para Rosselli, a Colômbia "é a boa notícia do Conselho de Segurança" e um assunto no qual, diferente de outras questões, "não houve a menor discrepância" entre os 15 Estados-membros.

No ano passado ano o Conselho aprovou a criação de uma missão para apoiar a verificação do cessar-fogo e o desarmamento no país e, por enquanto, faz uma análise muito positiva do avanço do processo.

Embora tenham sido registrados alguns "contratempos", segundo Rosselli, o fundamental é o compromisso que continuam demonstrando tanto o governo quanto as Farc e sua vontade de tentar cumprir os prazos previstos.

"Em um mundo no qual parece que as pessoas andam buscando desculpas para ter conflitos, é uma tarefa muito enaltecedora constatar que há pessoas que estão buscando a paz porfiadamente", opinou.

Os membros do Conselho de Segurança se encontrarão com ambas partes durante sua viagem à Colômbia, onde estarão a partir da noite da próxima quarta-feira e até sexta-feira.

Treze dos quinze países enviarão à Colômbia seus embaixadores titulares na ONU, com as exceções dos Estados Unidos - por problemas de agenda de Nikki Haley - e da Rússia, cujo representante principal morreu este ano e ainda não foi substituído oficialmente.

O programa da visita será, segundo o embaixador uruguaio, "muito curto, mas muito intenso".

Na quinta-feira os representantes dos 15 países se encontrarão em Bogotá com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos; o vice-presidente, Oscar Naranjo; e com ministros do governo, bem como com dirigentes das Farc e representantes da sociedade civil.

No dia seguinte, visitarão uma das áreas onde os guerrilheiros se concentraram para sua desmobilização, com a intenção de conhecer em primeira mão como se está implementando o acordo de paz e o trabalho dos observadores das Nações Unidas.

Em seu último relatório sobre a Colômbia, publicado em março, o secretário-geral da ONU, António Guterres, louvou os progressos no processo de paz, embora tenha advertido da necessidade de avançar urgentemente em algumas áreas estratégicas.

Para Rosselli, as dificuldades que se viram até agora, por exemplo na preparação das áreas de concentração dos guerrilheiros, são "clássicas" deste tipo de processo, mas o Conselho de Segurança está interessado em observar como serão resolvidas.

Sobre as críticas ao processo da oposição colombiana liderada pelo ex-presidente Alvaro Uribe, o representante uruguaio lembrou que a Colômbia já está entrando "em um período pré-eleitoral" e considerou normal que em uma democracia se discutam estes assuntos.

"Não é intenção do Conselho de Segurança ou de nenhum de seus membros interferir nesse processo", assegurou, antes de ressaltar que as Nações Unidas se limitam a dar apoio aos acordos de paz nos âmbitos pactuados com a Colômbia: o cessar-fogo e o abandono das armas.

Perguntado por um possível efeito da crise na Venezuela sobre o processo de paz, Rosselli disse confiar que isso não acontecerá e destacou ter a sensação de que tanto o governo como as Farc "procuraram evitar toda contaminação, entre aspas, proveniente da situação política de Venezuela".

"Mas todas essas coisas são muito frágeis", alertou o diplomata uruguaio.

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